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Regime iraniano cobra até US$ 6.000 aos familiares das vítimas mortas em protestos pelas balas usadas para matá-las

A condição perversa imposta pelas autoridades islâmicas chega, por vezes, a custar até 6.000 dólares por pessoa, após o uso de metralhadoras contra aqueles que participam em protestos populares exigindo a destituição do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país do Médio Oriente.

As famílias dos manifestantes mortos pelo regime iraniano que chegam ao serviço forense para recuperar os corpos são obrigadas a pagar 250 milhões de riais iranianos, o equivalente a 1.500 dólares, por cada bala encontrada nos cadáveres; caso contrário, impedem a sua libertação.

A condição perversa imposta pelas autoridades islâmicas chega, por vezes, a custar até 6.000 dólares por pessoa, após o uso de metralhadoras contra aqueles que participam em protestos populares exigindo a destituição do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país do Médio Oriente.

“As forças armadas chegaram ao hospital e o levaram, junto com muitos outros. Quando sua família foi à polícia para obter informações sobre ele, disseram-lhes que ele havia morrido e que, se quisessem recuperar seu corpo, teriam que pagar 1 bilhão de riais, cerca de US$ 6.000”, disse Medis Tavakoli, uma iraniana exilada na Espanha há quatro anos, ao jornal ABC.

Em declarações à imprensa espanhola, Medis revelou que até as famílias mais vulneráveis ​​que chegam aos hospitais e necrotérios em busca de seus entes queridos mortos estão sendo cobradas pelos corpos dos manifestantes. “É uma tragédia, porque à morte do jovem se soma a dor de não poder lhe dar um enterro digno. Para nós, para a nossa cultura, isso é muito importante, e é uma dor que eles carregarão para sempre”, afirmou Medis.

Estratégia para a impunidade

Cobrar das famílias das vítimas dos protestos no Irã pelos danos causados ​​pelos tiros é uma manobra legal do regime islâmico para evitar acusações de genocídio e críticas da comunidade internacional por abuso de poder, repressão e violações dos direitos humanos.

Essa estratégia fica evidente quando vemos que os pais, mães, esposas ou filhos daqueles que morreram nas manifestações são registrados como tendo falecido em “morte acidental” nas certidões de óbito.

Dessa forma, o regime de Khamenei reduz as acusações expostas no relatório de 3.428 mortes, que destaca a repressão estatal contra manifestantes em pelo menos 15 províncias iranianas, um número compilado pela organização Iran Human Rights (IHRNGO), com sede na Noruega, que monitora as rebeliões civis desde o início dos protestos em 28 de dezembro de 2025.

Uma tática já conhecida

Essa prática implementada pelo regime iraniano constitui um mecanismo para manipular a crise em seu próprio benefício. Dado que o salário mínimo no Irã gira em torno de US$ 125 por mês, o custo da remoção dos corpos, equivalente a cerca de quinze vezes esse valor, é praticamente impossível. Diante dessa impossibilidade, a maioria das famílias é obrigada a aceitar o ocultamento da verdadeira causa da morte.

A prática começou há cinco anos, após os protestos de 2019, conforme confirmado por diversas reportagens publicadas pela 
Reuters, pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos e pela Iran Wire, três fontes que concordam com o sequestro de cadáveres para a cobrança do “imposto sobre a morte”.

Ninguém está isento. O depoimento de Nezar Minouei, tio de Robina Aminian, uma estudante iraniana morta a tiros durante um dos protestos em Teerã, confirma isso. “Sua mãe, em meio a gritos e lágrimas, e com muita dificuldade, finalmente conseguiu chegar à área onde os corpos estavam sendo mantidos para começar a procurar o da filha”, relatou Minouei. Embora tenha admitido que “ela encontrou o corpo da filha e praticamente teve que roubá-lo, quando a família retornou à sua cidade natal, Kermanshah, descobriu que as autoridades estavam em sua casa procurando por eles para que pagassem por isso”.

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