O conflito sobre o qual a Corte Internacional de Justiça (CIJ) se pronunciará remonta a março de 2018, quando a Guiana apresentou uma ação perante o tribunal internacional para que este declarasse a “validade jurídica e o efeito vinculativo” da sentença arbitral de Paris de 1899, considerada falha.
O presidente da Guiana, Irfaan Ali, pediu no domingo que suas forças armadas continuem combatendo o narcotráfico e mantendo a “ordem interna”, após a Venezuela reiterar que não aceitará nenhuma decisão da Corte Internacional de Justiça (CIJ) sobre a disputa territorial do Essequibo, um território de quase 160.000 quilômetros quadrados administrado pela Universidade de Georgetown com base na sentença arbitral de Paris de 1899, considerada falha. Nessa sentença, uma decisão inválida foi emitida sem a representação da Venezuela e sob coerção do juiz russo Frédéric de Martens, conforme evidenciado em um memorando póstumo de Severo Mallet-Prevost, o advogado americano que fazia parte da equipe de defesa da Venezuela.
Como parte das atividades deste fim de semana para celebrar o sexagésimo aniversário da independência da Guiana, o presidente declarou que os cidadãos devem apoiar as Forças Armadas no cumprimento de seus deveres, ou a Guiana corre o risco de mostrar divisão diante de seus “inimigos”.
“Que jamais permitamos que nossos adversários vejam divisão e desunião, porque uma casa dividida não precisa ser invadida. Ela simplesmente desmorona”, afirmou Ali, vestido com trajes militares, segurando um mapa do país que inclui o território disputado de Essequibo e a bandeira da Guiana.


Essas declarações surgem após a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, ter comparecido a Corte Internacional de Justiça (CIJ) em Haia, na quarta-feira, para defender pessoalmente os direitos históricos da nação sul-americana sobre o rio Essequibo.
A presidente interina descreveu a disputa territorial entre Georgetown e Caracas perante o Supremo Tribunal das Nações Unidas como “absurda e ilegal”, observando que “nenhuma decisão deste Tribunal” proporcionará uma “solução definitiva aceitável para ambas as partes”.
A disputa sobre a validade da sentença arbitral de Paris
A Venezuela adere ao Acordo de Genebra de 1966, assinado por Caracas e pelo Reino Unido (e posteriormente pela recém-independente Guiana), que reconhece a existência de uma disputa de fronteira não resolvida, invalidando assim a sentença arbitral de Paris.
Enquanto isso, a Guiana aguarda a decisão da Corte Internacional de Justiça (CIJ) sobre a validade da sentença arbitral de 1899 referente à sua fronteira terrestre com a Venezuela. O presidente guianense, Irfaan Ali, expressou otimismo, afirmando que a decisão poria fim a décadas de “agressão”.
“Nossa integridade territorial já foi ameaçada antes. Ela nunca mais será ameaçada, nem com palavras, nem com a ameaça de incursões e pressão disfarçadas de diplomacia”, declarou o presidente da Guiana.
A disputa sobre a qual a Corte Internacional de Justiça (CIJ) irá se pronunciar a respeito do rio Essequibo remonta a março de 2018, quando a Guiana entrou com uma ação perante o tribunal superior internacional para declarar a “validade jurídica e o efeito vinculante” da sentença arbitral de 1899, bem como a natureza definitiva da delimitação da fronteira que, segundo os guianenses, poria fim à disputa sobre o Essequibo.
Desde 2018, a Venezuela afirma não reconhecer a jurisdição do tribunal e que não participará do processo, o que levou a Corte Internacional de Justiça a abordar, em primeiro lugar, a questão de sua competência para julgar o caso.
Em dezembro de 2020, o Tribunal concluiu que tinha jurisdição para se pronunciar sobre a validade da sentença arbitral de 1899 e sobre a resolução final da disputa territorial. Em abril de 2023, rejeitou uma objeção preliminar apresentada por Caracas e confirmou que poderia examinar o mérito da causa.
Com informações da EFE