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Venezuela quer voltar ao Mercosul e divide os parlamentares argentinos

Uma delegação da Assembleia Nacional da Venezuela está se mobilizando para retornar ao Parlamento do Mercosul. O kirchnerismo apoia a iniciativa, mas os libertários a rejeitam.

Após sete anos, a American Airlines operou seu primeiro voo Miami-Caracas, marcando um passo rumo à normalização das instituições venezuelanas, um processo que está se consolidando lenta, mas seguramente. No entanto, um governo “neo-chavista” permanece no poder no Palácio de Miraflores e, mesmo seguindo as diretrizes de Donald Trump, o governo de Delcy Rodríguez enfrenta desafios para completar a reinstitucionalização do país aos olhos da comunidade internacional. Por exemplo, a Europa não compartilha do otimismo dos Estados Unidos e demonstra mais lentidão na construção da confiança, exigindo sinais mais claros, como a libertação de todos os presos políticos e um calendário eleitoral transparente, implementado em curto prazo e sem restrições à oposição.

Dentro do Mercosul, onde a Venezuela está suspensa desde 2017, a equipe de Rodríguez pretende retomar as negociações para garantir sua readmissão. Vale lembrar que o bloco (dividido) suspendeu o país na época devido à sua falta de padrões democráticos. A voz principal foi a da Argentina, então sob o governo do presidente Mauricio Macri, que, apesar da falta de clareza em muitas questões de política interna — especialmente em relação à economia —, sempre foi inequívoco em sua posição contra Nicolás Maduro e o regime chavista.

Historicamente, o kirchnerismo aliou-se primeiro a Hugo Chávez e depois a Maduro, especialmente em relação às organizações internacionais. De fato, foi a Argentina kirchnerista que liderou a entrada da Venezuela chavista no Mercosul. Naquela época, Chávez emprestava dinheiro a taxas mais altas do que o FMI, mas não pediu explicações a Néstor ou Cristina Kirchner sobre como estavam usando os fundos. A relação vergonhosa entre as versões atuais do chavismo e do kirchnerismo está mais uma vez unindo forças para facilitar a reentrada da Venezuela no Mercosul, mas os membros da coalizão La Libertad Avanza (A Liberdade Avança) não querem ter nada a ver com isso.

“É inapropriado. É mais um exemplo do avanço de setores que só prejudicaram vidas, economias e até mesmo blocos econômicos”, afirmou o libertário Iván Dubois. Segundo o parlamentar do grupo político de Javier Milei, a Venezuela, antes de solicitar a readmissão ao Mercosul, deve garantir “eleições livres e competitivas, liberdades civis, ausência de perseguição política e separação de poderes”.

Por sua vez, Gabriel Fuks, do partido União pela Pátria, limita a tentativa de bloqueio a uma questão econômica e petrolífera. O parlamentar kirchnerista salientou que isso “não faz sentido”, visto que, por exemplo, a empresa americana Chevron opera tanto em Vaca Muerta quanto na Venezuela.

Enquanto isso, em Montevidéu, onde os membros do PARLASUL estão reunidos, o debate continua no Comitê Diretivo. Além do apoio dos parlamentares kirchneristas, a delegação venezuelana busca aliados nos blocos parlamentares uruguaio e paraguaio, o que poderá determinar o resultado da votação.

“Precisamos defender a cláusula democrática do Mercosul, que também negociamos e impusemos no acordo com a União Europeia. Não faz sentido; dizemos uma coisa com uma mão e nos contradizemos com a outra. A Venezuela foi suspensa por não incorporar as normas do Mercosul e por ataques a manifestações da oposição. Houve um aprofundamento da repressão e uma violação de todas as eleições por meio de fraude”, declarou a radical Lilia Puig.

Por Marcelo Duclos.

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