Um grupo de cidadãos venezuelanos entrevistados no Equador, Peru, Colômbia, Brasil, Chile e Guatemala considera até mesmo esse retorno em menos de um ano, de acordo com a pesquisa, apresentada em uma coletiva de imprensa pelo porta-voz do ACNUR, Matthew Saltmarsh.

Genebra, 14 de abril (EFE) – Mais de um terço dos refugiados venezuelanos em outros países da América Latina (35%) estão considerando retornar ao seu país, revela uma pesquisa elaborada pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e apresentada nesta terça-feira.

Segundo a pesquisa, apresentada em coletiva de imprensa pelo porta-voz do ACNUR, Matthew Saltmarsh, 9% dos 1.288 cidadãos venezuelanos entrevistados no Equador, Peru, Colômbia, Brasil, Chile e Guatemala estão considerando retornar ao país em menos de um ano.

Segundo os dados mais recentes da agência, referentes a novembro de 2025, os países da América Latina e do Caribe abrigam 6,9 milhões de refugiados venezuelanos, dos quais 4 milhões necessitam de assistência humanitária.

A principal motivação para o retorno a curto ou médio prazo é a reunificação familiar, embora alguns entrevistados também mencionem pressões nos países de acolhimento decorrentes de dificuldades socioeconômicas.

Pelo contrário, os principais motivos apresentados para não retornar neste momento são o medo da falta de trabalho ou de renda e a insegurança, opções escolhidas em ambos os casos por 22% dos entrevistados.

Sessenta por cento também indicam que não possuem informações suficientemente confiáveis ​​sobre qual seria sua situação legal caso retornassem, tanto na Venezuela quanto em seu atual país de acolhimento.

A agência das Nações Unidas insistiu que qualquer retorno deve ser “voluntário, seguro e digno”, e acompanhado de todas as informações possíveis sobre as implicações dessa decisão.

O ACNUR já analisou as preferências dos refugiados venezuelanos que retornaram e constatou que 80% deles desejam permanecer na Venezuela.

O porta-voz do ACNUR observou que a agência solicitou US$ 328,2 milhões para auxiliar pessoas deslocadas e refugiadas dentro e fora da Venezuela em 2026, embora até o momento tenha recebido apenas 12% desses fundos de doadores.