Por EFE

O próximo objetivo será pôr fim à guerra na Ucrânia. O presidente dos Estados Unidos afirmou ter conversado com seus homólogos russo e ucraniano, Vladimir Putin e Volodímir Zelenski, respectivamente, e que ambos estão “abertos a isso”.

Évian (França), 15 de junho (EFE) – Os líderes do G7 iniciaram nesta segunda-feira uma cúpula marcada inteiramente pelo acordo alcançado entre os Estados Unidos e o Irã, poucas horas antes de o presidente americano Donald Trump partir para Évian, onde, ao chegar, expressou sua confiança de que o Estreito de Ormuz estaria totalmente aberto na sexta-feira.

Foi isso que Trump declarou à imprensa na reunião bilateral que manteve com o presidente francês, Emmanuel Macron, pouco antes do início oficial da cúpula do G7 em Évian (França), que termina na quarta-feira e onde a abertura do Estreito de Ormuz é um dos temas mais debatidos, inclusive a isenção de pedágios.

O presidente dos EUA, além de se congratular pelo acordo alcançado com o Irã, que segundo ele já está permitindo o “fluxo de petróleo”, causando a “maior queda” no preço do barril e fazendo com que “o mercado de ações dispare”, demonstrou certo desdém pela reiteração, por Macron, da proposta de garantir a livre passagem pelo Estreito de Ormuz.

Macron lembrou que, juntamente com o Reino Unido, lidera uma coligação que inclui “cerca de vinte países que deram o seu contributo concreto” em termos dos meios militares que estariam dispostos a disponibilizar para garantir a segurança no Estreito de Ormuz, desde que as duas partes em disputa, os Estados Unidos e o Irã, mas também Omã, enquanto país fronteiriço com esse estreito, o aceitem.

“Não acho que precisaremos de muita ajuda, porque temos um acordo que estipula que (o estreito) estará aberto e a passagem será livre”, disse Trump, que ressaltou também que não achava “uma má ideia ter um ou dois navios lá” de um país “grande” como a França, porque “nunca se sabe o que pode acontecer”.

E agora, “fazer algo” pela Ucrânia

Trump acredita que “talvez” também possa “fazer algo” para acabar com a guerra na Ucrânia e disse ter conversado com seus homólogos russo e ucraniano, Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky, respectivamente, e que ambos estão “abertos à ideia”.

Pelo menos foi o que ele disse à imprensa em uma breve troca de palavras no início de seu encontro bilateral com Macron, marcado por sorrisos forçados. “Tivemos uma conversa muito boa ontem com o presidente Zelensky e o presidente Putin, e acho que talvez possamos fazer algo. Realmente acho. Ambos estão abertos a isso”, disse Trump.

Especificamente, esta terça-feira, o dia mais movimentado da cúpula, começará com a chegada do presidente ucraniano a Evian e com uma sessão focada na paz e segurança na Ucrânia.

Na segunda-feira, em entrevista ao canal de televisão francês TF1 , Macron expressou sua esperança de convencer Trump a “pressionar mais a Rússia” para que esta ponha fim à guerra na Ucrânia. “A melhor maneira de negociar é que a Ucrânia e a Rússia se sentem à mesma mesa, com a presença dos europeus e americanos”, afirmou.

Ameaças veladas versus pragmatismo

A presidência francesa do G7 havia alertado antes do início da cúpula que desejava que fosse uma reunião focada na gestão de crises internacionais e na obtenção de resultados concretos, e Macron demonstrou esse compromisso na segunda-feira ao afirmar que não guarda ressentimentos e que sua relação com Trump se baseia no pragmatismo.

Na segunda-feira, o The New York Post noticiou que Trump alertou Macron de que imporá tarifas de 100% sobre o vinho e o champanhe franceses caso ele não retire o imposto digital, que afeta principalmente as empresas americanas do setor.

Macron deixou claro que se trata de um imposto decidido pelos europeus e ao qual eles têm direito, e, após enfatizar sua intenção de ter uma conversa “firme, mas respeitosa” com seu homólogo, afirmou: “Se eu fosse rancoroso, isso me causaria problemas. Sou pragmático.”

A “afronta” de Macron a Trump

O programa provisório indicava que Trump seria o único chefe de Estado a ser recebido pessoalmente pelo anfitrião. No entanto, no tapete vermelho do Hôtel Royal, ele foi recebido pelo chefe de protocolo, e não pelo presidente francês.

O Palácio do Eliseu havia anunciado pouco antes um encontro bilateral com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. “Está tudo muito bem”, disse Trump aos repórteres ao sair do veículo, embora o motivo da mudança de planos ainda não tenha sido revelado.