Por Oriana Rivas

“Cuba, depois de muitas, muitas décadas, está se aproximando de nós”, afirmou o presidente dos Estados Unidos. Imediatamente, o regime de Castro respondeu.

As últimas declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, irritaram o ditador cubano Miguel Díaz-Canel, que não hesitou em provocar o líder republicano ao afirmar que, na ilha, “não temos medo da guerra”. Sua resposta reacende uma questão que parecia ter sido relegada a segundo plano pelo acordo de paz de Washington com Teerã, bem como pela intervenção política na Venezuela. Mas o assunto não foi esquecido.

A verdade é que o presidente dos EUA continua observando atentamente o regime de Castro. “Cuba, depois de muitas, muitas décadas, está se aproximando de nós”, disse ele há algumas horas. Não houve maiores explicações. No entanto, sua declaração pode ser interpretada nas entrelinhas como uma mensagem ao regime de Castro para que não ultrapasse as linhas vermelhas diplomáticas. Isso ocorre depois que o ministro das Relações Exteriores do regime, Bruno Rodríguez, afirmou que “as negociações entre Cuba e os Estados Unidos não estão mostrando nenhum progresso”.

A pressão da administração Trump vai além da diplomacia. Novas sanções impostas nas últimas semanas contra a cúpula política e seus familiares colocaram a ditadura, após 67 anos no poder, em uma posição muito difícil. Além disso, o Grupo de Administração de Empresas SA (GAESA), conglomerado militar do regime de Castro que controla a economia nacional, também foi alvo de restrições do Departamento de Estado, incluindo sanções contra entidades estrangeiras que operam em setores vitais como energia, defesa, mineração e serviços financeiros no país caribenho.

O regime de Castro solicita uma audiência na ONU para justificar seu autoritarismo

Díaz-Canel recorreu mais uma vez à retórica anti-americana que permitiu ao castrismo — por quase sete décadas — justificar seu modelo político, marcado pela corrupção estatal e pela repressão social. O ditador acrescentou que os EUA mantêm uma retórica “ameaçadora” contra a ilha, que faz parte de “uma estratégia de manipulação da mídia e guerra psicológica”. No entanto, suas palavras não surtem efeito na população, que sabe como os parentes dos líderes cubanos vivem em luxos que eles só podem imaginar.

Seguindo essa narrativa, o regime cubano espera discursar na Assembleia Geral da ONU em 7 de julho, em Nova York, para discutir “os efeitos do bloqueio”. Nesse ponto, Díaz-Canel recorreu novamente à sua retórica belicosa. Ele declarou sua disposição de lutar “até a última gota de sangue” para defender os “direitos, a independência e a soberania” da ilha.

Entretanto, o próprio presidente dos EUA anunciou a prisão de um “agente subversivo” cubano chamado Carlos Antonio Lloga Domínguez. Segundo o Departamento de Estado, ele “passou mais de uma década trabalhando como agente subversivo estrangeiro para o principal grupo de influência e inteligência do regime comunista cubano nos Estados Unidos”.