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Senado dos EUA aprova projeto para impedir novas ações militares na Venezuela

É a primeira vez, durante o segundo mandato de Trump, que o Congresso vota para restringir o amplo uso do poder militar pelo Executivo como ferramenta de política externa.

O Senado dos EUA aprovou na quinta-feira uma resolução bipartidária com o objetivo de impedir que o governo Trump tome novas medidas militares na Venezuela. A medida representa uma rara reafirmação do poder do Congresso de limitar o uso da força armada.

A resolução — de caráter predominantemente simbólico — foi aprovada por 52 votos a 47. Cinco senadores republicanos juntaram-se ao bloco democrata para apoiá-la.

Esta é a primeira vez, durante o segundo mandato de Trump, que o Congresso votou para restringir o amplo uso do poder militar pelo Executivo como instrumento de política externa. Embora a maioria dos republicanos tenha inicialmente comemorado o ataque que levou à queda de Maduro, alguns começaram a alertar que uma presença militar contínua na Venezuela exigiria autorização legislativa, limitando assim a ameaça do presidente de um compromisso militar por tempo indeterminado.

“Uma campanha prolongada na Venezuela envolvendo as forças armadas dos EUA, mesmo que essa não tenha sido a intenção inicial, contrariaria o objetivo do presidente Trump de acabar com os envolvimentos militares no exterior”, disse o senador Todd Young, um dos republicanos que apoiaram a resolução.

Nos meses anteriores, os republicanos em ambas as casas legislativas bloquearam quatro iniciativas semelhantes baseadas na Lei de Poderes de Guerra, que buscavam limitar o uso de força letal pela Casa Branca na Venezuela e nas águas do Caribe e da América Latina, onde ataques dos EUA a supostos navios de narcotráfico teriam deixado mais de 100 mortos.

Trump afirmou que não há mais ataques “iminentes” contra a Venezuela, mas alertou que eles poderiam se tornar necessários caso a presidente interina Delcy Rodríguez não atenda às exigências de Washington para acesso às vastas reservas de petróleo do país. O presidente também não descartou o envio de tropas americanas para território venezuelano “com relação ao petróleo”.

A votação de quinta-feira representou uma linha vermelha até mesmo para alguns senadores republicanos que antes duvidavam que Trump ordenaria uma ofensiva unilateral. Em novembro, o bloco republicano havia rejeitado uma iniciativa semelhante depois que o secretário de Estado Marco Rubio garantiu, em uma sessão fechada, que não havia planos para invadir a Venezuela e que fazê-lo acarretaria riscos significativos.

Antes da votação, os democratas acusaram o governo de enganar deliberadamente o Congresso e salientaram que seus colegas republicanos estavam renunciando à autoridade legislativa para controlar o uso da força militar.

Rubio, que retornou ao Capitólio esta semana para prestar contas sobre a operação de sábado, afirmou que a ação foi uma operação de “aplicação da lei” e que as forças armadas apenas colaboraram no cumprimento de uma ordem judicial do Departamento de Justiça para prender Maduro e sua esposa, Cilia Flores, ambos acusados ​​nos Estados Unidos de crimes relacionados ao tráfico de drogas e armas.

A resolução foi apresentada pelo senador Rand Paul, juntamente com o líder da minoria democrata, Charles E. Schumer, e os senadores Tim Kaine e Adam Schiff.

O resultado representa uma vitória incomum para os democratas, que ainda buscam uma estratégia clara em resposta à operação militar. Muitos dentro do partido consideram a ação ilegal e criticam veementemente a promessa subsequente de Trump de que seu governo “administrará” a Venezuela indefinidamente.

Entretanto, alguns democratas estão preparando novas resoluções para bloquear uma possível ação militar contra outros alvos potenciais — como Cuba ou Groenlândia — e outros estão pressionando por uma abordagem mais enérgica: usar as leis orçamentárias anuais para cortar o financiamento de quaisquer futuros destacamentos militares na Venezuela.

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