O ex-candidato à presidência decidiu, nesta segunda-feira, reconhecer o resultado que dá a vitória a Abelardo de la Espriella, enquanto o presidente cessante continua, sem provas, insinuando fraude e recorrendo a argumentos delirantes para pedir a anulação da eleição.
O debate em torno dos resultados do segundo turno das eleições na Colômbia agora é história. Assim que a contagem dos votos foi concluída, o candidato de esquerda, Iván Cepeda, decidiu cumprir sua palavra e reconhecer publicamente a derrota. No entanto, o presidente cessante, Gustavo Petro, se recusa a reconhecer que seu desastroso projeto político chegou ao fim. Pelo contrário, ele continua publicando argumentos delirantes, tentando sustentar uma suposta fraude, sem qualquer prova, e exigindo a anulação das eleições por razões cada vez mais absurdas. Isso apenas demonstra que a luta pela liderança da oposição já começou.
“Decidi aceitar o resultado que advém do referido processo (contagem) e que indica que Abelardo de la Espriella é o novo presidente da República”, anunciou Cepeda nesta quarta-feira, após reconhecer sua derrota sem nuances, apesar de ter inicialmente solicitado a impugnação de 57 mil seções eleitorais, o que não é admissível após o término da apuração oficial.
Em contraste, Gustavo Petro, que não tem outra opção senão “retirar-se” e iniciar o processo de transição para o próximo governo, como insinuou, evitou a retórica derrotista que Cepeda insinuou sutilmente desde o início. O presidente cessante preferiu insinuar, sem provas, uma suposta fraude que ninguém em seu partido apoia. A embaixadora da Colômbia no Reino Unido, Laura Sarabia, foi a primeira a se distanciar dessa narrativa e a pedir respeito à democracia e à vontade dos eleitores.
🇨🇴🚨 | Cepeda reconoce su derrota |
— PanAm Post Español (@PanAmPost_es) June 24, 2026
➡️ El candidato izquierdista a la Presidencia de Colombia, Iván Cepeda, acepta formalmente los resultados de la segunda vuelta electoral del domingo, tras finalizar el escrutinio. "He decidido aceptar el resultado que surge de dicho proceso… pic.twitter.com/3ZCnNolEoa
Petro, por outro lado, pediu a anulação das eleições devido à alegada “interferência” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump; acusou a empresa responsável pela contagem preliminar; apontou o dedo para o governo de Israel e já lançou uma longa lista de hipóteses delirantes que só servem para enterrar seu caráter democrático.
Primeiro round entre Cepeda e Petro
Nada disso é por acaso. De ambos os lados, Gustavo Petro e Iván Cepeda iniciam uma luta interna na esquerda pela liderança da oposição contra o governo de Abelardo de la Espriella, que começa em 7 de agosto. De um lado, Petro se apresenta como o líder do que agora se chama Petrismo. Do outro, Cepeda se apresenta como o beneficiário dos 12,7 milhões de votos obtidos no segundo turno e o titular da cadeira a que tem direito pelo Estatuto da Oposição, o que lhe permite liderar a oposição de dentro do parlamento. Será uma batalha nos bastidores entre legitimidade popular e legitimidade institucional.
“Acredito que haverá, inevitavelmente, um confronto entre os dois, mas a oposição será orquestrada, dirigida e liderada por Iván Cepeda. Penso que Petro vai querer ocupar um espaço. Não o conseguirá facilmente. E não creio que Cepeda seja alguém que lhe facilite as coisas”, disse o advogado e colunista Bernardo Henao ao PanAm Post em entrevista.
Esta primeira rodada na luta interna da futura oposição colombiana foi vencida por Cepeda, que, após reconhecer publicamente sua derrota, é visto como uma figura que busca reorganizar sua base dentro das regras do jogo democrático, enquanto Petro é visto como um megalomaníaco e mau perdedor que não desiste da ideia de incendiar o país.
