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Cepeda se distancia de Petro ao aceitar sua derrota: começa a luta pela liderança da oposição

Por José Gregorio Martínez

O ex-candidato à presidência decidiu, nesta segunda-feira, reconhecer o resultado que dá a vitória a Abelardo de la Espriella, enquanto o presidente cessante continua, sem provas, insinuando fraude e recorrendo a argumentos delirantes para pedir a anulação da eleição.

O debate em torno dos resultados do segundo turno das eleições na Colômbia agora é história. Assim que a contagem dos votos foi concluída, o candidato de esquerda, Iván Cepeda, decidiu cumprir sua palavra e reconhecer publicamente a derrota. No entanto, o presidente cessante, Gustavo Petro, se recusa a reconhecer que seu desastroso projeto político chegou ao fim. Pelo contrário, ele continua publicando argumentos delirantes, tentando sustentar uma suposta fraude, sem qualquer prova, e exigindo a anulação das eleições por razões cada vez mais absurdas. Isso apenas demonstra que a luta pela liderança da oposição já começou.

“Decidi aceitar o resultado que advém do referido processo (contagem) e que indica que Abelardo de la Espriella é o novo presidente da República”, anunciou Cepeda nesta quarta-feira, após reconhecer sua derrota sem nuances, apesar de ter inicialmente solicitado a impugnação de 57 mil seções eleitorais, o que não é admissível após o término da apuração oficial.

Em contraste, Gustavo Petro, que não tem outra opção senão “retirar-se” e iniciar o processo de transição para o próximo governo, como insinuou, evitou a retórica derrotista que Cepeda insinuou sutilmente desde o início. O presidente cessante preferiu insinuar, sem provas, uma suposta fraude que ninguém em seu partido apoia. A embaixadora da Colômbia no Reino Unido, Laura Sarabia, foi a primeira a se distanciar dessa narrativa e a pedir respeito à democracia e à vontade dos eleitores.

Petro, por outro lado, pediu a anulação das eleições devido à alegada “interferência” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump; acusou a empresa responsável pela contagem preliminar; apontou o dedo para o governo de Israel e já lançou uma longa lista de hipóteses delirantes que só servem para enterrar seu caráter democrático.

Primeiro round entre Cepeda e Petro

Nada disso é por acaso. De ambos os lados, Gustavo Petro e Iván Cepeda iniciam uma luta interna na esquerda pela liderança da oposição contra o governo de Abelardo de la Espriella, que começa em 7 de agosto. De um lado, Petro se apresenta como o líder do que agora se chama Petrismo. Do outro, Cepeda se apresenta como o beneficiário dos 12,7 milhões de votos obtidos no segundo turno e o titular da cadeira a que tem direito pelo Estatuto da Oposição, o que lhe permite liderar a oposição de dentro do parlamento. Será uma batalha nos bastidores entre legitimidade popular e legitimidade institucional.

“Acredito que haverá, inevitavelmente, um confronto entre os dois, mas a oposição será orquestrada, dirigida e liderada por Iván Cepeda. Penso que Petro vai querer ocupar um espaço. Não o conseguirá facilmente. E não creio que Cepeda seja alguém que lhe facilite as coisas”, disse o advogado e colunista Bernardo Henao ao PanAm Post em entrevista.

Esta primeira rodada na luta interna da futura oposição colombiana foi vencida por Cepeda, que, após reconhecer publicamente sua derrota, é visto como uma figura que busca reorganizar sua base dentro das regras do jogo democrático, enquanto Petro é visto como um megalomaníaco e mau perdedor que não desiste da ideia de incendiar o país.

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