O relatório anual conjunto da ONG norueguesa Iran Human Rights (IHRNGO) e da francesa Ensemble contre la Peine de Mort (ECPM) indica que pelo menos 48 mulheres foram executadas, 55% a mais do que em 2024. Trata-se do número mais alto em 20 anos.
Redação Internacional, 13 de abril (EFE) – O Irã executou pelo menos 1.639 pessoas em 2025, 68% a mais que no ano anterior e o maior número no país desde 1989, de acordo com o relatório anual da ONG norueguesa Iran Human Rights ( IHRNGO ) e da organização francesa Ensemble contre la Peine de Mort (ECPM).
Apenas 113 dessas execuções foram anunciadas por fontes oficiais, um número que corresponde a menos de 7% do total, em comparação com 9,5% em 2024 e 15% em 2023.
Quase metade das mortes foi causada por crimes relacionados a drogas, um aumento de 58% em relação ao ano anterior, enquanto outras 37 ocorreram devido a acusações de estupro.
Pelo menos 57 pessoas foram mortas por rebelião armada (‘baghi’), inimizade contra Deus (‘moharebeh’) e corrupção na Terra (‘efsad-fil-arz’), três acusações relacionadas à segurança pelas quais, entre outros, dois manifestantes, 18 presos políticos, 13 acusados de espionagem e um condenado por corrupção financeira perderam a vida.
O relatório conjunto indica que pelo menos 48 mulheres foram executadas, 55% a mais do que em 2024. Este é o número mais alto em 20 anos.
A IHRNGO e a ECPM destacam que 11 execuções foram realizadas em espaços públicos e que pelo menos 84 cidadãos afegãos foram mortos, em comparação com 80 em 2024 e 16 em 2022. Entre os não iranianos, há também três iraquianos e outra pessoa identificada apenas como estrangeira.
O levantamento reflete que 852 das execuções em 2025 no Irã e mais de 5.972 desde 2010 foram baseadas em sentenças de morte proferidas pelos Tribunais Revolucionários.
Segundo as duas ONGs, esses números revelam uma escalada sem precedentes no uso da pena de morte no Irã, uma tendência que começou após os protestos desencadeados em 2022 pela morte de Mahsa Amini por não usar o véu corretamente.
“A pena de morte no Irã é usada como ferramenta política de opressão e repressão, e minorias étnicas e outros grupos marginalizados estão sobrerrepresentados entre os executados”, afirma Raphaël Chenuil-Hazan, diretor executivo da ECPM.
A IHRNGO e a ECPM deixam claro que as execuções ainda estão ocorrendo no país, cuja população agora vive “sob o medo e a ansiedade de bombardeios diários” no contexto da guerra atual.
O documento esclarece que, no ano passado, a IHRNGO foi notificada de 553 execuções que não puderam ser verificadas por duas fontes independentes, um número mais de dez vezes superior ao número anual de relatórios de execuções não confirmadas nos quatro anos anteriores.
A organização afirmou que não podia descartar a possibilidade de que algumas das alegações fizessem parte de uma campanha de desinformação da República Islâmica para desacreditar organizações de direitos humanos.
O primeiro relatório da IHRNGO, em 2008, registrou 350 execuções naquele ano no Irã. Desde então, o total ultrapassou 11.196, com uma média de 622 por ano.
Com a publicação deste relatório, as duas ONGs apelam à comunidade internacional, incluindo as Nações Unidas e os governos que mantêm relações diplomáticas com o Irã, para que coloquem a abolição da pena de morte no centro do seu compromisso com o Irã e apoiem o crescente movimento abolicionista no país.
