Uma acusação formal contra o ex-ditador cubano Raúl Castro pelo abate de aeronaves da organização humanitária “Brothers to the Rescue” em 1996 estaria sendo avaliada pela Justiça americana, segundo a rede CBS. Seria este o pretexto de que a Casa Branca precisa para justificar uma incursão militar na ilha semelhante à ocorrida em 3 de janeiro na Venezuela?
Enquanto uma delegação dos EUA – chefiada pelo diretor da CIA, John Ratcliffe – fazia uma visita inédita a Havana, a imprensa americana noticiava uma história que adiciona mais um elemento à crescente pressão do governo do presidente Donald Trump contra o regime cubano: uma acusação formal contra o ex-ditador Raúl Castro pelo abate de aviões pertencentes à organização humanitária “Brothers to the Rescue” em 1996.
Segundo informações divulgadas com exclusividade pela CBS na quinta-feira , a acusação precisa ser autorizada por um júri popular e se concentrará no incidente ocorrido há quase três décadas, no qual quatro pessoas morreram quando aeronaves da referida organização foram abatidas por forças da ditadura cubana em águas internacionais.
Embora o Departamento de Justiça dos EUA não tenha confirmado oficialmente a informação, a medida lembra o processo legal que Washington construiu contra o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro para legitimar a operação militar em Caracas que terminou com sua captura nas primeiras horas de 3 de janeiro.
Foi assim que se consolidou o argumento a favor da captura de Maduro
Tudo começou com a designação do Cartel dos Sóis como organização terrorista no final de julho. Imediatamente depois, a Procuradoria-Geral da República, então chefiada por Pam Bondi, dobrou a recompensa pela captura de Maduro, alegando que ele usava tanto o cartel quanto o grupo criminoso Tren de Aragua para enviar “drogas mortais” aos Estados Unidos. Em menos de um mês, o Pentágono já havia enviado tropas para o Caribe, número que continuou a aumentar, e também enviava aeronaves de reconhecimento para mais perto da costa venezuelana antes de realizar a operação de extração.
Até o momento, os Estados Unidos não possuem um pretexto ou justificativa legal para uma incursão militar em Cuba semelhante à ocorrida no início deste ano na Venezuela. Caso a acusação contra Raúl Castro seja confirmada, isso poderá mudar.
Não parece ser coincidência que, nos últimos meses, pelo menos 25 aeronaves de vigilância e drones da Marinha e da Força Aérea dos EUA tenham sido detectados voando muito perto da costa cubana. Além disso, enquanto essa informação vazava, o diretor da CIA se reunia em Havana com autoridades da ditadura cubana para propor negociações, mas apenas sob a condição de que mudanças ocorressem na ilha, segundo um funcionário da agência citado pela Bloomberg.
Um detalhe significativo é que um dos cubanos com quem Ratcliffe se encontrou foi Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro, o que confirma a teoria de que o atual ditador, Miguel Díaz-Canel, não passa de um fantoche dos Castros, como afirmou em entrevista recente ao PanAm Post o advogado chileno de origem cubana, Mijail Bonito. Portanto, o alvo dos Estados Unidos para pressionar pela desejada mudança de regime em Cuba é o próprio Raúl Castro, que, apesar de ter renunciado formalmente à liderança do Partido Comunista de Cuba em 2021, continua sendo a figura mais influente dentro do aparato político do país.
