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Por que uma operação militar dos EUA em Cuba seria diferente de uma no Irã?

Sem nenhuma dificuldade, o governo de Donald Trump poderia lançar uma operação em Cuba a partir do território continental dos EUA, sem precisar enviar uma frota numerosa nem ordenar a tomada de aeroportos, portos estratégicos ou infraestrutura crítica.

Ver Havana em chamas, como aconteceu em Teerã três meses atrás, após os Estados Unidos, juntamente com Israel, lançarem uma guerra contra o regime iraniano, parece improvável. Qualquer operação na ilha exigirá menos recursos, dada a fragilidade de uma ditadura sem um sucessor claro, cercada por uma população sem lealdades e com uma localização que a torna um alvo mais acessível para Washington.

Embora os Estados Unidos tenham ordenado a maior mobilização militar desde a invasão do Iraque em 2003 para cercar o Irã — com o envio de porta-aviões, destroieres e caças —, uma operação para neutralizar o regime de Miguel Díaz-Canel exigiria menos recursos.

Sem qualquer complicação, o governo de Donald Trump poderia ativar uma operação em Cuba a partir de território americano, sem precisar enviar uma grande frota ou ordenar a tomada de aeroportos, portos estratégicos ou infraestrutura crítica.

“Combate urbano” descartado

Essa “guerra urbana” travada pelos Estados Unidos em cidades iraquianas como Fallujah ou Mosul está longe de se repetir na nação caribenha, afirma Rolando Gallardo, líder da plataforma Cuba Primero, em sua coluna publicada no 14yMedio.

Sua projeção se baseia no fato de que o Irã é um estado continental de 1,6 milhão de quilômetros quadrados com capacidade de resposta assimétrica e uma extensa rede de conexões, enquanto Cuba é uma ilha de 110.000 quilômetros quadrados cercada por infraestrutura militar americana.

Ele está certo. A Base Aérea MacDill, em Tampa — sede do Comando Central e do Comando de Operações Especiais — fica a menos de 500 quilômetros de Havana. Porto Rico também concentra quatro instalações operacionais com capacidade de projeção direta sobre o leste da ilha. Além disso, a base naval de Guantánamo, localizada a 117 quilômetros, possui uma pista capaz de operar qualquer aeronave militar.

A sacralização da morte, combustível para os aiatolás.

Comparar uma operação em Cuba com uma no Irã é insustentável quando a ditadura cubana já está em ruínas, especialmente quando comparada ao regime iraniano. No caso dos aiatolás, a eliminação sistemática de seus líderes demonstrou que não leva ao colapso de seu sistema, pois, no xiismo, o martírio significa não derrota, mas elevação espiritual.

Segundo a doutrina deles, cada líder caído gera um sucessor mais radicalizado que transforma essa morte na base da sua própria legitimidade. “A cadeia de comando não é quebrada, ela é sacralizada”, explica Gallardo. A prova mais clara disso é o assassinato do General Qasem Soleimani em janeiro de 2020.

Outro ponto de diferença reside na estrutura política iraniana. Em Teerã, o Conselho dos Guardiães e a Guarda Revolucionária Islâmica operam de forma independente, sem qualquer ligação com quem estiver no poder.

Isso implica que “o regime pode perder suas figuras visíveis e continuar funcionando porque a máquina tem vida própria. O Irã é, nesse sentido, um Estado com profundidade”, destaca Gallardo.

Regime cubano sem sistema

Em Cuba, o cenário para tal operação é o oposto. O castrismo não representa um sistema político com instituições autônomas, mas sim uma estrutura de poder pessoal construída em torno de uma única família ao longo de seis décadas.

De fato, Fidel e Raúl Castro foram fontes de legitimidade, mas o Conselho de Ministros e a liderança militar são formados por nomeação, não por mérito ou doutrina. Se a pessoa que os nomeia desaparece, seu papel se torna sem sentido.

No entanto, o ponto crucial é que em Havana também não existem mártires em potencial, porque não há uma causa transcendente. A mudança feita pelos cidadãos do lema “Pátria e Morte” para “Pátria e Vida” nos protestos de 2021 demonstra isso.

A única coincidência que poderia existir entre os ataques que os Estados Unidos realizaram com Israel contra o regime iraniano e aqueles que realizariam contra o castrismo seria a escolha estratégica dos pontos sensíveis da ditadura cubana.

Defesa sem reputação

No caso do Irã, Washington optou por explosões no centro de Teerã, perto do complexo onde residia o Líder Supremo, o Aiatolá Ali Khamenei, além de bombardeios contra instalações militares, alvos de inteligência e símbolos estatais em várias partes da capital. Em poucas horas, 20 das 31 províncias do país sentiram toda a força da Casa Branca.

O Irã respondeu a essa ofensiva com mísseis e drones direcionados a uma ampla rede de alvos, como o quartel-general da Quinta Frota dos EUA no Bahrein, a base aérea de Al Udeid no Catar e até mesmo instalações militares nos Emirados Árabes Unidos — incluindo Al Dhafra, perto de Abu Dhabi — e a base aérea de Ali Al Salem no Kuwait.

O que faria o regime cubano em uma situação semelhante? O desempenho de seus serviços secretos na Venezuela durante a captura do ditador chavista, Nicolás Maduro, deixa pouca esperança de uma defesa bem-sucedida.

Riqueza sem ideologia

Hoje, o regime cubano sobrevive graças à propaganda diante dos alertas de uma operação dos EUA em Cuba, bem como à acumulação de riqueza por meio do Grupo de Administração de Empresas (GAESA), mas a estrutura estatal não é instrumento de uma ideologia, e sim mecanismo para o enriquecimento de um grupo.

A prisão em Miami de Adys Lastres Morera, irmã de Ania Guillermina Lastres Morera, CEO do conglomerado desde 2022, pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), comprovou isso. Não houve protestos em Cuba em sua defesa, e a liderança se refugiou na mesma narrativa socialista.

Essa realidade é agravada pela baixa percepção entre os cubanos de que os Estados Unidos não são nem o inimigo da ilha nem a potência estrangeira hostil que o regime alega ser.

Por Gabriela Moreno.

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