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O uso de IA nos ataques dos EUA ao Irã acende alertas na China

Analistas do gigante asiático exortam o regime de Xi Jinping a “acelerar sua própria autossuficiência tecnológica, especialmente em chips e sistemas de inteligência artificial”. A verdade é que isso já está acontecendo.

A operação “Fúria Épica”, lançada pelos Estados Unidos contra o regime iraniano, é apenas o começo. Os bombardeios estão se espalhando por diversos países do Oriente Médio, em resposta à reação da ditadura islâmica à morte de seu líder, o aiatolá Ali Khamenei, após ataques ordenados pelo presidente Donald Trump. O alarme é generalizado na região, a tal ponto que o Departamento de Estado americano aconselhou seus cidadãos a deixarem imediatamente 14 países e territórios daquela parte do mundo.

A inteligência artificial desempenhou um papel significativo no assassinato do ditador Ali Khamenei. O Departamento de Estado utilizou sistemas desenvolvidos pela empresa Anthropic para análise de inteligência, identificação de alvos e simulações de cenários de combate, de acordo com reportagens do The Wall Street Journal e da Reuters. Em outras palavras, a guerra convencional, que dependia exclusivamente de armas no campo de batalha, tornou-se coisa do passado.

Isso acendeu o alerta em outros países interessados ​​em expandir seus arsenais militares, especialmente a China. Analistas no gigante asiático estão instando o regime de Xi Jinping a “acelerar sua própria autossuficiência tecnológica, especialmente em chips e sistemas de inteligência artificial”, algo que já está em andamento.

O exército comunista chinês está treinando um “comandante virtual” criado com inteligência artificial para tomar decisões em conflitos armados; cães robôs capazes de penetrar em território hostil; e enxames de drones inspirados no comportamento de falcões. No entanto, existem inúmeros alertas de que a tecnologia pode se voltar contra os humanos que a controlam.

A IA se torna a arma mais poderosa

Arun Menon, analista da MTN Consulting, disse ao South China Morning Post que “a visível utilização de tecnologias americanas em operações militares fornece uma justificativa política ainda mais forte para acelerar esse impulso”, referindo-se aos avanços chineses. William Wei, da empresa de cibersegurança WebRAY, afirmou que a militarização da IA ​​“é um alerta para todo o setor”.

Esses e outros especialistas consultados pelo portal afirmam que os eventos recentes — incluindo os ataques ao Irã e a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro — demonstram que “os EUA aplicaram com sucesso modelos de IA para atingir objetivos operacionais de forma eficiente”.

Além do resultado da operação militar que os Estados Unidos estão conduzindo, juntamente com Israel, para eliminar o aparato repressivo islâmico, esse cenário abre uma nova perspectiva quanto ao uso da inteligência artificial no campo de batalha. A China, por sua vez, vem expandindo constantemente seu arsenal, do qual se conhece apenas o que é publicado em revistas especializadas.

Antropich em sistemas classificados do Pentágono 

Com relação à tecnologia da Anthropic usada por Washington contra a ditadura iraniana, isso ocorreu devido a um acordo prévio com o Pentágono para que seu modelo de IA, Claude, fosse usado em sistemas confidenciais e aplicações de apoio militar.

Embora uma disputa tenha levado ao rompimento do acordo entre a empresa e a Casa Branca no final de fevereiro, o modelo Claude permanece implantado e operacional em redes classificadas do Departamento de Defesa dos EUA. Trump concedeu um prazo de até seis meses para a remoção dessa tecnologia dos sistemas militares.

Na sequência, a OpenAI, liderada por Sam Altman, avançará após a assinatura de um novo acordo com o Pentágono para que seus modelos de IA sejam usados ​​em sistemas confidenciais.

Por Oriana Rivas.

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