“Embora eu não tenha sido soldado, conheço a guerra e as operações clandestinas. Jurei não tocar em outra arma desde o acordo de paz de 1989 (…), mas pelo meu país, voltarei a pegar nas armas que não quero”, escreveu o presidente colombiano em resposta ao alerta de seu homólogo americano sobre uma operação militar na Colômbia, semelhante à realizada no sábado na Venezuela para capturar Nicolás Maduro.
O presidente colombiano, Gustavo Petro, ameaçou na segunda-feira pegar em armas novamente, se necessário, como fez durante seus anos de guerrilha, para defender a soberania de seu país da “ameaça ilegítima” do presidente dos EUA, Donald Trump, que, após a captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, voltou seus olhos para a Colômbia como um possível próximo alvo.
“Embora eu não tenha sido soldado, conheço a guerra e a clandestinidade. Jurei não tocar em outra arma desde o acordo de paz de 1989 (…), mas pelo bem da pátria, voltarei a pegar nas armas que não quero”, disse Petro em uma longa mensagem em sua conta no X.
Em sua juventude, Petro fez parte do grupo guerrilheiro M-19, que se desmobilizou em 1990 após assinar um acordo de paz com o então presidente colombiano Virgílio Barco. No entanto, Petro continuou a defender a causa do M-19 em manifestações de rua, mesmo como presidente.


No domingo, Trump disse a repórteres a bordo do Air Force One que, assim como a Venezuela, “a Colômbia também está muito doente” e, referindo-se a Petro, afirmou que o país é “governado por um homem doente que gosta de produzir cocaína e vendê-la para os Estados Unidos, e isso é algo que ele não fará por muito tempo”.
Questionado sobre a possibilidade de uma operação dos EUA na Colômbia, semelhante à realizada na Venezuela na madrugada de sábado contra Nicolás Maduro, que foi preso junto com sua esposa Cilia Flores e levado perante um juiz em Nova York, Trump respondeu: “Isso me parece ótimo”.
“Não sou ilegítimo, nem traficante de drogas. Meu único bem é a casa da minha família, que ainda pago com meu salário. Meus extratos bancários foram divulgados. Ninguém pode dizer que gastei mais do que ganho. Não sou ganancioso”, declarou Petro, rejeitando as acusações de Trump contra ele.
Hoy veré si las palabras en inglés de Trump se traducen como dice la prensa nacional. Por tanto, más tarde las responderé hasta saber lo que significa realmente la amenaza ilegítima de Trump.
— Gustavo Petro (@petrogustavo) January 5, 2026
En cuanto al señor Rubio que desliga autoridades del presidente y dice que el…
Gustavo Petro está em confronto verbal com Donald Trump praticamente desde que o republicano iniciou seu segundo mandato na Casa Branca, há quase um ano, como parte da retórica anti-imperialista habitual da esquerda, que neste caso serve aos propósitos eleitorais do presidente colombiano às vésperas das eleições presidenciais de maio. Em um ato de provocação, durante sua participação na última Assembleia Geral da ONU, Petro incitou soldados americanos nas ruas de Nova York a desobedecerem às ordens de Trump, gerando uma crise diplomática que incluiu a revogação do visto do presidente colombiano.
Segundo Petro, se os Estados Unidos “detiverem o presidente”, como fizeram no último sábado em Caracas com Maduro e Flores após um atentado em várias partes da Venezuela, enfrentarão uma reação popular.
“A partir de agora, todos os soldados na Colômbia têm uma ordem: qualquer comandante das Forças Armadas que preferir a bandeira dos EUA à bandeira colombiana será imediatamente destituído da instituição por ordem da tropa e minha. A Constituição ordena que as Forças Armadas defendam a soberania popular”, acrescentou.
Com informações da EFE