Por José Gregorio Martínez

A candidata do Fuerza Popular está arrasando nos consulados em território americano – onde se concentra um quarto dos eleitores no exterior – com mais de 80%, uma tendência que indica que ela obterá mais de 38 mil votos de vantagem, enquanto a diferença na votação geral a favor de Roberto Sánchez se reduziu para menos de 20 mil votos. A empresa Ipsos alterou suas projeções e agora prevê a vitória de Fujimori “na maioria dos cenários”, enquanto em casas de apostas como a Polymarket ela atinge seu ponto mais alto em probabilidade de vitória.

Nunca antes uma eleição dependeu tanto dos votos do exterior. O caso peruano demonstra o poder da diáspora em decidir o futuro de um país diante de um resultado tão apertado. Pela quarta vez, Keiko Fujimori disputa a presidência em um segundo turno, mas desta vez ela está prestes a mudar a história. Depois de perder as últimas três eleições no segundo turno (2011, 2016 e 2021) por margens de menos de 3% — e até menos de 0,3% nas duas últimas —, os peruanos no exterior, especialmente aqueles que vivem nos Estados Unidos, estão revertendo a situação, podendo garantir sua vitória em 2026.

Quando 95% das cédulas foram apuradas, a tendência que favorecia ligeiramente o candidato de esquerda Roberto Sánchez se reverteu assim que os votos dos peruanos residentes nos Estados Unidos começaram a ser contabilizados. Esses eleitores representam um quarto dos votos computados no exterior. Com 38% das cédulas dos consulados nos Estados Unidos apuradas, Keiko Fujimori vencia Roberto Sánchez naquele país com 80,3% contra 19,6%. Se essa tendência se mantivesse até a apuração completa, a filha do ex-presidente Alberto Fujimori venceria nos EUA por mais de 38.000 votos. A má notícia para Sánchez é que sua vantagem vem diminuindo e agora é de menos de 20.000 votos.

Um fator crucial que mudou a situação do candidato de esquerda foi a tendência, que o havia levado a um pico de 50,12%. No entanto, à medida que os votos dos peruanos nos Estados Unidos começaram a ser contabilizados, essa tendência se reverteu, fazendo com que ele perdesse a vantagem de mais de 40.000 votos que detinha. Mas não são apenas os eleitores nos Estados Unidos que estão favorecendo Keiko Fujimori na reta final da apuração; ela também está dominando a votação geral entre os peruanos no exterior, com mais de 64% contra 35%.

Registros contestados em Lima

Embora seja verdade que, dos mais de 700 mil votos ainda a serem apurados, apenas um terço seja proveniente do exterior, é importante considerar também que uma porcentagem significativa dos votos contestados é de Lima, onde Keiko Fujimori lidera com mais de 63%. Essa informação foi explicada na segunda-feira por Alfredo Torres, diretor da Ipsos, a mesma empresa que, no domingo à noite, dava uma ligeira vantagem a Sánchez, mas que agora projeta Fujimori como vencedora.

“O terceiro grupo que precisa ser considerado são as seções eleitorais que foram contestadas ou observadas, e a maioria delas está em Lima. E Lima é uma área onde Fujimori vence. Então, à medida que essas contestações forem resolvidas, é provável que se determine que uma porcentagem significativa dessas seções eleitorais são de Fujimori (…) fizemos cálculos internos com diferentes cenários, e a verdade é que na maioria dos cenários Fujimori vence”, esclareceu Torres na televisão peruana.

A tendência a favor da candidata do Fuerza Popular também se reflete nas casas de apostas, que na noite de terça-feira se inclinaram a favor de Roberto Sánchez assim que foi divulgada a primeira projeção da contagem rápida da Ipsos, mas agora, com o início da contagem dos votos dos peruanos no exterior, com grande peso dos eleitores nos Estados Unidos, as apostas a favor de Keiko Fujimori atingiram seu ponto mais alto.