Com os corpos quase sem vida, as feridas infeccionadas e fracos demais para andar, muitos vagam pela ilha na esperança de receber alguma ajuda diante da falta de suprimentos que deveriam estar recebendo. Eles chegam a pedir solidariedade nas redes sociais.
Vermes não são as únicas criaturas que rastejam pelas ruas de Cuba, em busca de restos de comida em meio às toneladas de lixo acumulado. Pacientes com HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) e até mesmo com diabetes também vagam em estado crítico, aguardando a assistência médica que o regime de Castro se recusa a fornecer.
Com os corpos quase sem vida, as feridas infeccionadas e fracos demais para andar, muitos vagam pela ilha na esperança de receber alguma ajuda diante da falta de suprimentos que deveriam estar recebendo. Eles chegam a pedir solidariedade nas redes sociais.
“É para comida”, dizem os cartazes exibidos pelos pacientes, evidenciando as deficiências do sistema de saúde comunista. Sem medo de preconceito ou repressão por parte das forças de segurança do Estado, eles chegam a mostrar seus prontuários médicos, incluindo a data e o número atribuídos após a confirmação da infecção.
Casos como esses são comuns na ilha, e entre eles, destaca-se o exemplo de ‘Idalberto’. Ele é um dos 35.373 pacientes registrados com HIV no país. Todos os dias, apesar dos efeitos debilitantes da falta de medicamentos antirretrovirais, ele caminha pelas ruas de Matanzas — a cerca de 100 quilômetros de Havana — exibindo um pedaço de papelão velho e gasto com seu histórico médico: “Meu número de caso é 15707, datado de 21 de dezembro de 2011, para quem quiser verificar.”


A ditadura liderada por Miguel Díaz-Canel levou Idalberto à mendicância, contou ele ao site 14ymedio. “Antes, eu recebia regularmente meus tratamentos e visitas de médicos e assistentes sociais, mas depois da pandemia de COVID-19, tudo mudou”, disse ele.
Visivelmente abalado, ‘Idalberto’ também lembrou que, após esse período, a continuidade do fornecimento de medicamentos pelo estado foi interrompida. “Às vezes me davam um antirretroviral, e outras vezes ele simplesmente desaparecia. Era como se estivessem fazendo experiências comigo”, disse ele.
Padres comunistas que não resolvem nada
Viver com diabetes em Cuba é um calvário semelhante ao sofrido por pacientes com HIV. Aqueles que desenvolvem úlceras nos pés são condenados a suportar infecções, gangrena e até amputações dos membros inferiores, sem qualquer recurso.
Esse conjunto de sintomas, assim como a gravidade das infecções, é agravado na população afetada, como resultado das contínuas falhas na distribuição de medicamentos que controlam o açúcar no sangue e previnem a neuropatia, pois essa doença afeta os vasos sanguíneos, dificultando a cicatrização e favorecendo o aparecimento de abscessos.
Um caso que ilustra esse padrão é o de César Manuel, paciente com diabetes mellitus, que também deu declarações ao 14yMedio sobre sua visita ao centro médico em um país cujo regime se vangloria de seu sistema de saúde: “Venho da Policlínica. Me limparam com água oxigenada, passaram uma pomada e me mandaram para casa”, confessou, enquanto escondia a dor de uma úlcera sangrando no pé direito.
Embora tenha enfatizado que a gaze lhe foi “dada”, seu caso revela que a ditadura cubana também não fornece o Heberprot-P, seu “medicamento estrela” para tratar lesões avançadas, estimular a cicatrização e reduzir o risco de amputação.
A assistência médica gratuita e universal em Cuba é apenas uma ilusão, visto que obter tratamento exige um longo processo: “Do consultório médico à policlínica e depois ao hospital… E isso se aprovarem”, explica César.
Tudo isso acontece enquanto a liderança comunista se vangloria de possuir 26 policlínicas e cinco laboratórios de biologia molecular para o diagnóstico e tratamento de HIV, tuberculose e outras doenças.
As mentiras da ditadura sobre o HIV em Cuba
Em Cuba, há aproximadamente 4.000 pacientes com HIV a mais do que em 2021, ano que terminou com 31.000 casos. Destes, 53% residem em Havana, e a taxa de prevalência tem sido de 2.000 novos casos anualmente desde o primeiro diagnóstico em 1986.
Desde então, o regime de Castro registrou 42.437 cubanos infectados pelo vírus. Pelo menos 13.000 morreram. Nenhuma retórica justifica esses números, especialmente porque o regime tem acesso a recursos do Fundo Global de Combate à AIDS, Tuberculose e Malária (GFAID) desde 2003 para cobrir os custos dessas doenças. De fato, receberá US$ 16 milhões para cobrir despesas pelos próximos três anos.
No entanto, a desconfiança desse benfeitor em relação aos fundos é evidente, dada a suspeita de que outras 8.000 pessoas infectadas desconhecem sua condição. Em comunicado, esclareceu-se que 20% do orçamento fornecido pela FMSIDA está vinculado a compromissos específicos de cofinanciamento que Cuba deve cumprir. Nesse sentido, também se enfatiza que esses “compromissos devem ser ambiciosos, porém realistas, para que se possa, eventualmente, cessar o financiamento externo”.
Não é do interesse da ditadura deixar de receber essa renda, mas sim mostrar que ainda possui uma prevalência de diabetes de 66,5 pessoas por 1000 habitantes, enquanto esconde que a crise econômica provocou o êxodo de 3125 dentistas em dois anos e aumentou o preço dos preservativos devido à sua escassez.
Por Gabriela Moreno.