O presidente dos Estados Unidos afirmou que o encontro “correu muito bem”. Por sua vez, o presidente brasileiro classificou a reunião como “um passo importante” nas relações entre os dois países e afirmou que Trump lhe disse que não pretende invadir Cuba, ao mesmo tempo em que intercedia em favor da ditadura de Castro.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na quinta-feira que seu encontro com o homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, na Casa Branca, “foi muito bom” e que discutiram diversos assuntos, principalmente as tarifas que Washington vem impondo a Brasília desde o retorno do republicano ao poder em 2025. Enquanto isso, o presidente brasileiro disse que o encontro representou “um passo importante” na relação entre os dois países. A pedido do líder sul-americano, não foi emitida nenhuma declaração conjunta.

“Acabei de concluir meu encontro com Luiz Inácio Lula da Silva, o dinâmico Presidente do Brasil. Discutimos muitos temas, incluindo comércio e, especificamente, tarifas. A reunião foi muito boa”, escreveu Trump em sua rede social Truth Social.

De fato, a agenda incluiu questões comerciais como tarifas, combate ao crime internacional e cooperação em minerais raros, já que o Brasil possui a segunda maior reserva mundial, atrás da China.

O presidente dos EUA acrescentou que representantes de ambos os países também planejam se reunir nos próximos meses para discutir “certos elementos-chave”.

Por sua vez, Lula da Silva enfatizou que o encontro serviu para dar “um passo importante” na relação entre os dois países e assegurou que Trump lhe disse, durante a reunião na Casa Branca, que não planeja invadir Cuba.

“A boa relação entre o Brasil e os Estados Unidos é uma demonstração para o mundo de que as duas maiores democracias do continente podem servir de exemplo para o mundo”, declarou Lula em coletiva de imprensa na embaixada brasileira em Washington, após solicitar o cancelamento da declaração conjunta da Casa Branca, como é costumeiro para Trump quando recebe visitas de outros chefes de Estado.

Lula garante que Trump não planeja invadir Cuba

Lula afirmou que deixa a capital americana convicto de que “um passo importante foi dado na relação democrática e histórica que o Brasil mantém com os Estados Unidos” e assegurou que o tom do encontro foi cordial.

“Se a tradução estiver correta, ele me disse que não planeja invadir Cuba. Ouvi isso do intérprete”, disse Lula na coletiva de imprensa, onde também teria dito a Trump que está “totalmente à sua disposição” caso ele “precise de ajuda” para lidar com a situação em Cuba.

“Cuba quer dialogar e encontrar uma solução para acabar com o bloqueio que nunca permitiu que Cuba fosse um país livre desde a vitória da revolução”, disse o líder brasileiro, que criticou o fato de a ilha sofrer “o bloqueio mais longo da história da humanidade”.

E, como nota à parte, Lula contou que aconselhou Trump a manter uma atitude descontraída e sorrir para as câmeras, chegando até a brincar sobre pedir que ele não restringisse os vistos para a seleção brasileira durante a Copa do Mundo deste verão nos Estados Unidos.

Alguns pontos em discussão

Luiz Inácio Lula da Silva chegou à Casa Branca na quinta-feira para se encontrar com seu homólogo americano em uma reunião, a primeira desde outubro, que ocorre em meio a novas tensões diplomáticas entre os dois países.

Este encontro também foi marcado por uma forte componente econômica devido às investigações abertas pelos Estados Unidos sobre supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil, particularmente em relação ao uso da plataforma de pagamentos instantâneos PIX, criada pelo Banco Central, que Washington considera prejudicial às empresas americanas Visa e Mastercard.

Inclui-se também a cooperação no combate ao crime internacional, dada a possibilidade de os Estados Unidos designarem alguns grupos criminosos brasileiros como organizações terroristas, algo a que Brasília se opõe por acreditar que isso poderia abrir caminho para eventuais intervenções em seu território.

Momentos-chave de encontros e desentendimentos

Este encontro foi precedido pelas críticas de Lula à operação militar para capturar Nicolás Maduro na Venezuela, à pressão sobre Cuba e à guerra no Irã. Após a prisão do ditador venezuelano, os Estados Unidos impuseram um embargo de petróleo a Cuba, e Trump declarou que “assumirá o controle” do país “quase imediatamente”, além de enviar o porta-aviões USS Abraham Lincoln para a região.

O segundo mandato de Trump começou com tensões com o Brasil, país ao qual ele impôs tarifas em retaliação aos processos judiciais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado do presidente americano, que foi condenado a 27 anos de prisão por liderar um golpe contra Lula.

As relações melhoraram após um breve encontro durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York e uma reunião bilateral na Malásia, onde ambos os líderes pareceram estar em sintonia. No entanto, a relação deteriorou-se novamente nos últimos dias após a expulsão, por Washington, de um policial brasileiro em Miami, o que levou o Brasil a revogar as credenciais de um funcionário americano em Brasília. Além disso, em março, o Brasil já havia negado o visto a um assessor ligado a Trump que pretendia visitar Bolsonaro na prisão.

Com informações da EFE