“Anotem os nomes dos assassinos e agressores. Eles pagarão um alto preço”, afirmou o presidente dos EUA diante do massacre que já soma 12 mil mortos. Não se descarta uma intervenção semelhante à que pôs fim à ditadura venezuelana de Nicolás Maduro.

A mensagem publicada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na rede social Truth Social, sobre a repressão no Irã, provavelmente está sendo recebida como uma demonstração de apoio pelas milhares de pessoas que protestam contra o regime islâmico. O presidente instou os iranianos a continuarem protestando e a “tomarem o controle” das instituições estatais.

“Guardem os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um preço alto”, escreveu Trump. Ele também indicou que cancelou reuniões com autoridades iranianas “até que o assassinato sem sentido de manifestantes cesse”. Suas palavras aumentam a possibilidade de uma ação militar dos EUA no país do Oriente Médio. Após a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro, uma intervenção semelhante em Teerã contra o aiatolá Ali Khmenei não está descartada, especialmente considerando a afirmação do presidente americano de que “a ajuda está a caminho”.

A ação que o presidente dos EUA estaria planejando permanece envolta em segredo, assim como a operação que capturou o ditador venezuelano e sua esposa, Cilia Flores, também foi mantida em segredo, sem detalhes divulgados até depois de sua captura. A repressão no Irã atingiu níveis tão altos que a CBS News estima mais de 12.000 mortes. Conforme as comunicações permitem, vídeos de corpos empilhados em necrotérios começam a circular. Enquanto isso, a comunidade internacional se manifesta.

Declaração de Maduro ao regime islâmico antes de ser capturado

Itália, Alemanha e Holanda convocaram seus respectivos embaixadores iranianos em resposta à violência perpetrada pelo regime islâmico. O Reino Unido anunciou que apresentaria legislação que lhe permitiria impor “sanções abrangentes e adicionais”. No Brasil, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva emitiu um comunicado instando ao diálogo e afirmando que somente os iranianos têm o direito “de decidir, de forma soberana, sobre o futuro de seu país”.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil utiliza esse argumento apesar de os iranianos não desfrutarem de liberdade de expressão ou de pensamento devido às políticas autoritárias do aiatolá, que tem sido próximo a governos de esquerda na América Latina. Em contrapartida, a OTAN classificou a repressão no Irã como “repugnante” e afirmou que os países membros estão em “contato constante” a respeito do massacre.

Em 2 de janeiro, antes da captura de Maduro, seu regime publicou uma declaração apoiando seu aliado islâmico, que durante anos forneceu apoio ao chavismo enviando navios carregados de medicamentos e instruindo-o em práticas como o uso de navios fantasmas para vender petróleo no mercado internacional, burlando as sanções econômicas.

O Irã é uma fonte de terrorismo e de problemas para os EUA

O motivo inicial dos protestos no Irã foi a crise econômica, marcada pela inflação. Posteriormente, mulheres iranianas se uniram ao movimento, recusando-se a serem silenciadas e punidas pela lei da Sharia, a mesma lei que levou à morte de Mahsa Amini em 2022, quando a polícia da moralidade a prendeu por não usar o véu islâmico “corretamente”.

Mas o que está acontecendo no Irã não se limita à violação sistemática dos direitos humanos contra a população. O regime islâmico consta da lista de Estados patrocinadores do terrorismo do Departamento de Estado dos EUA por financiar e armar grupos terroristas, incluindo o Hezbollah e o Hamas. Portanto, a continuidade da ditadura em Teerã torna-se uma questão geopolítica e de segurança regional, algo que o governo de Donald Trump está monitorando de perto.

Foi revelado que Steve Witkoff, o enviado dos EUA, se reuniu nos últimos dias com Reza Pahlavi, filho do último Xá do Irã, deposto em 1979, para discutir a onda de protestos. A proposta de Pahlavi é liderar uma transição para a democracia assim que o regime cair.