A ministra da Segurança se pronunciou sobre o assunto e deu uma data provável para o eventual início do programa que beneficiaria os turistas locais.
A ministra da Segurança da Argentina, Alejandra Monteoliva, afirmou que reuniões foram realizadas com autoridades americanas para garantir que os cidadãos argentinos não precisem obter um visto comum, requisito para entrar nos Estados Unidos, mesmo em caso de escala naquele país.
Na terça-feira, o Subsecretário para Assuntos Consulares do governo Trump se reuniu com o sucessor de Patricia Bullrich para dar prosseguimento ao programa de Isenção de Vistos, que simplificaria as viagens de argentinos aos Estados Unidos. “Nossa expectativa é que isso esteja operacional nos primeiros meses de 2027”, afirmou Monteoliva.


Em diálogo com o jornalista Luis Majul, no canal LN+, a chefe do Ministério da Segurança assegurou que está “constantemente” em reuniões com seus homólogos norte-americanos, onde autoridades argentinas estão “mostrando progresso” em resposta às exigências do Norte para incluir o país na lista de beneficiários do sistema de isenção que almejam.
Se o programa mencionado por Monteoliva se concretizar, marcará um novo capítulo nas relações amistosas entre Washington e Buenos Aires. Nos últimos meses, ambos os países avançaram rumo à finalização de um acordo comercial, e o vínculo geopolítico foi ainda mais reforçado pelo apoio decisivo no julgamento da expropriação da YPF, bem como pelo apoio contínuo do Secretário do Tesouro, Scott Bessent, à Argentina.
🚨 EE.UU. SIN VISA PARA ARGENTINOS: el Gobierno reveló cuándo entrará en vigencia el beneficio
— El Economista (@ElEconomista_) May 20, 2026
La ministra de Seguridad, Alejandra Monteoliva, estimó que podría comenzar a aplicarse “en los primeros meses de 2027”.
La medida permitiría a los argentinos viajar a EE.UU. por… pic.twitter.com/omNsNhujQu
Desde quando os argentinos precisam solicitar visto para entrar nos EUA?
Durante a década de 1990, os argentinos podiam entrar nos Estados Unidos com seus passaportes, assim como podem fazer atualmente, por exemplo, na União Europeia. A relação entre o governo de Carlos Saúl Menem e o período entre o republicano George Bush (pai) e o democrata Bill Clinton ficou conhecida como a era das “relações especiais”, um período em que ambos os países desfrutaram de prosperidade. Durante a crise de 2001/2002, Bush (pai) lidou com governos interinos até que Néstor Kirchner assumiu a presidência em 2003. A partir desse momento, a Argentina começou a adotar uma abordagem diferente em relação às relações internacionais, distanciando-se daqueles que haviam sido aliados estratégicos por uma década.
Quando os cidadãos argentinos começaram a solicitar vistos após a crise econômica e durante o primeiro governo Kirchner, o processo não era simples. Durante muitos anos, inúmeros vistos de turista foram negados, causando grande preocupação a muitos argentinos que desejavam visitar os Estados Unidos. Houve até um período em que a maioria dos pedidos de visto foi recusada.
No final de 2005, quando solicitei minha autorização de residência pela primeira vez, lembro que, de um grupo de cerca de dez pessoas na embaixada no bairro de Palermo, apenas a minha e a da pessoa que viajava comigo foram aprovadas por dez anos. Tínhamos levado uma extensa documentação, apresentada espontaneamente, comprovando nossos vínculos com a Argentina, incluindo escrituras, cartas de recomendação e certificados de emprego indicando nossa data prevista de retorno, com o apoio de nossos empregadores.
Uma pessoa que estava presente no momento conseguiu uma autorização temporária de 72 horas para um evento específico, enquanto todos os outros tiveram seus pedidos negados. Lembro-me de ter presenciado situações de grande estresse e tensão, e até mesmo um segurança retirando à força um cidadão que reagiu mal à recusa.
Com o tempo, a situação melhorou, mas não muito. Nunca foi garantia de aprovação, como os vistos de turista para entrar no Canadá ou em Cuba, para alguém que não estivesse envolvido em políticas anticastristas, é claro.
Vale lembrar que a posição ambígua do país na Segunda Guerra Mundial, com uma clara aproximação ao nacional-socialismo por parte da gênese do peronismo, custou à Argentina quase meio século de distanciamento da potência do norte, o que se traduziu no previsível apoio dos EUA ao Reino Unido na Guerra das Malvinas de 1982.
Os anos da presidência de Menem foram a exceção entre 1940 e a chegada do governo de Javier Milei. Embora Mauricio Macri tenha mudado o rumo geopolítico, a falta de tato da primeira ministra das Relações Exteriores de Cambiemos, Susana Malcorra, ao apoiar abertamente os candidatos democratas, pouco contribuiu para melhorar as relações com o primeiro governo de Trump, apesar da relação prévia entre os dois presidentes.
O distanciamento definitivo também se consolidou durante a presidência de Barack Obama, quando os EUA deixaram de ver a América Latina como um potencial parceiro estratégico. Isso coincidiu com a radicalização do kirchnerismo, que favoreceu aliados estratégicos como a Venezuela chavista, o Irã dos aiatolás e a Cuba de Castro. Ironicamente, todos esses projetos políticos podem estar chegando ao fim, graças à atual iniciativa do principal parceiro estratégico da Argentina.
Por Marcelo Duclos.