PHVOX – Análises geopolíticas e Formação
Alberto Alves

O Ciclo Hidrológico no contexto das Mudanças Climáticas

É curioso como um assunto tão banal do senso comum e ensinado nos primeiros anos escolares, tenha deixado de ser observado quando o assunto são as mudanças climáticas. Ao invés disso, têm crescido alertas como a que “pode faltar água doce até 2050 [1]”. Um claro exagero midiático utilizado para controlar a vida das pessoas por um problema que sempre existiu, mas que hoje é encarado como se fosse culpa nossa.
Esse é um dos fenômenos mais bem compreendido devido à sua fácil constatação e facilidade de reprodução, tanto em casa quanto em sala de aula [2]. A água acumulada em rios, lagos e oceanos, evapora, esse vapor vira nuvem e volta para a terra em forma de chuva ou neve. O vento ajuda a espalhar esse vapor de água para vários lugares do planeta e esse processo é chamado de ciclo da água, ou ciclo hidrológico.

Figura 1: O ciclo hidrológico. Extraído de https://sites.google.com/site/dianacionaldaagua1/home/ciclo-hidrol

O que é lamentável é que a compreensão para por aqui. Talvez pela forma como estão educando a nossa geração. Infelizmente, não se consegue mais raciocinar com esse conhecimento adquirido. Pelo menos não quando o assunto é Mudanças Climáticas. Qualquer um que tenha refletido sobre as implicações do ciclo hidrológico sabe que a afirmação de que água doce do planeta pode acabar não faz o menor sentido, sob nenhum aspecto.

É óbvio, mas é importante dizer; a água não sai do planeta! A gravidade mantém a atmosfera “colada” à Terra e o seu campo magnético impede que o vento solar a lance para longe de nós [3]. Claro que uma pequenina porção escapa para o espaço, mas não o suficiente para ter qualquer significado prático no meio ambiente, mesmo ao longo de bilhões de anos.

Com isso em mente, sabe-se que a água não tem para onde ir senão continuar na superfície do nosso planeta. Assim, pensar que irá faltar água doce soa tão catastrófico quanto sem sentido.

No entanto, a intenção dos alarmistas é dizer que a água que estará disponível não poderá ser mais consumida devido à poluição das nascentes dos rios e lençóis freáticos. Porém, esse processo não é irreversível, existem mecanismos para tornar a água potável novamente. Só para exemplificar, o rio Tâmisa, em Londres no Reino Unido, já foi tão poluído que já houve surtos de cólera nos anos de 1850 e sessões do parlamento inglês eram interrompidas por causa do mau cheiro do rio. Hoje, já é possível encontrar até peixes naquele rio. O mesmo processo de recuperação já aconteceu com os rios Siena em Paris, França, Tejo em Lisboa, Portugal e até o rio Jundiaí em São Paulo [4].

Qualquer um que mora em regiões ribeirinhas sabe que já não é recomendável beber água sem ferver antes, já que restos orgânicos estão sempre presentes em regiões de água parada. Dito de outra forma, independente se a água for poluída ou não, não é recomendado consumi-la in natura. No entanto, falar em falta de água potável gera mais o impacto emocional do que o compromisso em transmitir a informação correta.

Para os mais esclarecidos é dito que o consumo de água gerado pelo ser humano é maior do que o que a Natureza pode fornecer, especialmente na drenagem dos aquíferos [5]. O que eles não contam é que uma vez consumida a água, ela simplesmente não some, mas volta para os mesmos reservatórios porque o ciclo hidrológico é constante. Se a taxa de consumo é maior do que a de fornecimento, o ser humano irá buscar em outro lugar como sempre fez em sua história e o fará. Em outras palavras, procurar por ambientes favoráveis ao nosso bem estar, bem como modifica-lo para esse fim não é um privilégio recente, o homem sempre fez isso e sempre o fará, uma vez que não se tem tudo em todo lugar e isso não é culpa nossa!

O clima sempre mudou e sempre mudará. A água nunca foi distribuída uniformemente no planeta. Há regiões gigantescas em que ela simplesmente não se faz presente, como nos desertos (só o Saara, tem cerca de 9,2 milhões de quilômetros quadrados, isso é maior do que a área do Brasil) e outras em que ela é abundante (as regiões localizadas na zona tropical, como a floresta Amazônica).

No contexto das mudanças climáticas o ciclo hidrológico perde lugar para outro fenômeno da moda, os chamados rios voadores [5]. A responsabilidade pelo transporte da umidade para o sul do nosso país é a floresta amazônica e sem ela essa umidade jamais chegaria tão longe. Para que isso seja possível é imprescindível a preservação da floresta e o desmatamento só irá prejudicar esse ciclo.

Aparentemente não há nada de errado com isso, exceto quando o ciclo hidrológico é considerado em sua total integralidade. É verdade que a evapotranspiração acontece, é verdade também que a Amazônia contribui para os chamados rios voadores. O que não é verdade é que a floresta seja a causa desse fenômeno.

Os ventos alísios, que vem do Atlântico equatorial, adentram na região Norte do Brasil rumo ao Andes. Porém, o paredão de montanhas de altura média de 4 quilômetros e extensão de quase 8 mil quilômetros, impede que a maior parte dessa umidade rume para o Pacífico [7]. Ao invés disso, parte dela fica retida no pé das cordilheiras e a outra parte simplesmente escoa para o Sul do continente, levando umidade para regiões que de outra forma não se beneficiariam dessa riqueza hídrica.

Como consequência, há um acúmulo gigantesco de água nessa região e com ela a presença permanente da floresta úmida. Não é à toa que o rio Amazonas é o maior rio do mundo em volume de água.

Dito de outra forma, tem floresta porque chove e não o contrário. Ainda que houvesse a intenção de desmatar totalmente aquela região, essa tarefa seria simplesmente impossível dada as características naturais a que aquela região está submetida.

Podemos pensar como um exemplo de tentativa de desmatamento proposital as consequências da Guerra do Vietnã (1965 a 1975) sobre o Laos [8] e sobre o próprio Vietnã [9]. Com o objetivo de impedir o fornecimento de armas para o Vietnã do Norte pelos chineses através das densas florestas do Laos, os EUA bombardearam aquele país como nenhum outro fizera na História. A cada oito minutos, por nove anos, o país sofreu com toda sorte de armas, que vão desde as de fragmentação até incendiárias (simplesmente lançou-se mais bombas naqueles países do que em toda a Europa durante a Segunda Guerra Mundial), com o objetivo de desmatar a floresta e revelar as rotas de suprimentos para o esforço de guerra no Vietnã. Quase 50 anos após aquela devastadora guerra a floresta continua de pé.

Outras conclusões menos catastróficas, no entanto, podem ser tiradas dessa afirmação errada sobre o protagonismo da floresta; se a Amazônia fosse uma fonte de umidade, já teria dado tempo dela ter se tornado um grande lago, dado o seu longo tempo de existência (cerca de 2 a 2,5 milhões de anos [10]). Se a floresta realmente fosse fonte de umidade, como sugerem os especialistas, não haveria seca sazonal na Amazônia.

Fica claro então que a floresta se sustenta em detrimento da presença do clima favorável e não como uma protagonista dele. Se fosse assim, bastaria replantar no deserto do Saara, por exemplo, para resolver a seca naquela região.

A impressão que se tem é que estamos lotando o planeta como quem lota um ônibus de passageiro. A analogia, embora aparentemente adequada, não se sustenta na vida real. Em outras palavras, se estamos crescendo em termos populacionais é porque temos condições alimentares para isso. Não somos extraterrestres, mas parte do planeta como todos os animais. Se há abundância é porque há recursos e na falta deles seremos todos afetados.

Em outras palavras, pela forma como os “especialistas” apontam, parece que a escassez de água doce é um problema recente na humanidade. Que somente agora acordamos para o problema ambiental e, se não fizermos nada para mudar isso, a situação só tenderá a piorar, o que não é verdade, pois a água sempre esteve e sempre estará disponível no planeta. Ela apenas migrará para outras regiões naturalmente como acontece há bilhões de anos. Cabe a nós nos adaptarmos às mudanças como o fazem todos os seres vivos na Terra. Isso de maneira nenhuma deve ser colocado em nossa conta como se tivéssemos alguma culpa a esse respeito.

Isso não quer dizer que não devemos agir com responsabilidade diante dos recursos que temos disponíveis. Isso não é licença para uma exploração predatória até porque no contexto de liberdade econômica esse tipo de prática não se sustenta.

É claro que o motivo para esse alarmismo é o controle da sociedade por parte de líderes de movimentos ideológicos, que sempre tiveram interesse nesse sentido. Começaram com a guerra entre proletários e burgueses, depois migraram para raças e etnias, em seguida para sexo e gênero, finalmente para o clima e a sustentabilidade. Tudo a fim de tornar a sociedade refém de si mesma enquanto uma minoria se beneficia desse sacrifício enganando os incautos.

[1] Falta de água afetará 5 bilhões de pessoas até 2050, diz ONU: https://epocanegocios.globo.com/Mundo/noticia/2018/03/falta-de-agua-afetara-5-bilhoes-de-pessoas-ate-2050-diz-onu.html#:~:text=A%20falta%20de%20%C3%A1gua%20pode,Mundial%20da%20%C3%81gua%2C%20em%20Bras%C3%ADlia.

[2] . ciclo hidrológico

[3] Cientistas comprovam que o campo magnético da Terra é vital para a atmosfera: https://veja.abril.com.br/ciencia/cientistas-comprovam-que-campo-magnetico-da-terra-e-vital-para-atmosfera/

[4] Rios despoluídos: 5 exemplos que mostram que a revitalização é possível: https://blog.brkambiental.com.br/rios-despoluidos-5-exemplos-que-mostram-que-a-revitalizacao-e-possivel/

[5] Vai faltar água? https://super.abril.com.br/saude/vai-faltar-agua/

[6] Rios voadores: https://riosvoadores.com.br/o-projeto/fenomeno-dos-rios-voadores/

[7] Cordilheiras dos Andes: https://www.infoescola.com/geologia/cordilheira-dos-andes/

[8] Bombas do passado ameaçam o Laos: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft281203.htm#:~:text=O%20ex%C3%B3tico%20e%20escondido%20Laos,Vietn%C3%A3%20(1964%2D1975).

[9] O Agente Laranja e a “Guerra Herbicida” dos EUA no Vietnã: https://www.youtube.com/watch?v=O03euS6ApoM

[10] Idade da Amazônia: https://agencia.fapesp.br/idade-da-floresta/9712/#:~:text=%E2%80%9CUma%20das%20hip%C3%B3teses%20aceitas%20hoje,1%20milh%C3%A3o%20de%20anos%2C%20respectivamente.

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