O comunismo chinês vem aplicando a inteligência artificial em grande parte de seu armamento militar. Além de drones, também treina “lobos” armados.
Os cenários para futuras guerras têm gerado debates consideráveis devido ao surgimento da inteligência artificial e sua aplicação no armamento militar de países como os Estados Unidos e a China. As potências mundiais não querem ficar para trás e, nos últimos meses, têm desenvolvido arsenais avançados, incluindo cães robóticos e comandantes virtuais, para auxiliar na tomada de decisões em conflitos armados.
Uma nova revelação vem da China, onde armas controladas por inteligência artificial, inspiradas no comportamento de falcões e coiotes, estão sendo treinadas. Elas atuarão como enxames de drones em tempo real para identificar e destruir as aeronaves inimigas mais vulneráveis. De acordo com documentos analisados pelo The Wall Street Journal, os drones atacantes “foram programados para evadir defensores treinados como falcões com base no comportamento de pombos”. Em um teste de cinco contra cinco, “os falcões destruíram todos os pombos em 5,3 segundos”.
O Exército de Libertação Popular da China (ELP) está tão empenhado em usar inteligência artificial que vislumbra um novo estilo de guerra “guiado por algoritmos, com sistemas não tripulados como principal força de combate e operações em enxame como principal modo de batalha”. Outro exemplo disso ocorreu dias atrás, quando o regime de Xi Jinping relatou que um único soldado do ELP controlou um enxame de mais de 200 drones simultaneamente. Isso foi possível graças ao uso de algoritmos para dividir as tarefas de reconhecimento, interferência eletrônica e ataque sem intervenção humana constante.
China corre o risco de a IA se rebelar contra os comandantes
O comunismo chinês aplica inteligência artificial a grande parte de seu armamento militar, não apenas a drones que imitam o comportamento de falcões. Eles também treinam “lobos” armados que operam em matilhas, coordenando ataques a posições inimigas de maneira semelhante a uma matilha de cães.
Por outro lado, pesquisadores ligados ao Exército Popular de Libertação (PLA) desenvolveram uma versão militar baseada no modelo Llama da Meta — sem autorização da empresa de Mark Zuckerberg — para otimizar a tomada de decisões e a análise de inteligência no campo de batalha. O resultado foi uma melhoria de 90% nas respostas táticas, atingindo uma precisão comparável à do GPT-4 em situações de combate. Isso ocorreu no final de 2024, e a empresa de tecnologia protestou anunciando mudanças em suas políticas de uso para disponibilizar a tecnologia a agências do governo dos EUA. Em outras palavras, a competição existe e está se tornando cada vez mais acirrada.
Contudo, os planos militares de Xi Jinping não estão isentos de desafios. Embora o treinamento e os testes estejam em andamento, o campo de batalha pode apresentar dificuldades para armas que incorporam inteligência artificial. Além disso, “a IA pode funcionar bem demais e tomar decisões letais além da compreensão ou do controle dos comandantes humanos”, como aponta o veículo de mídia americano após analisar pedidos de patentes, licitações públicas e artigos de pesquisa.
Taiwan sob a mira militar da China
Atualmente, a situação no Estreito de Taiwan vive um momento de “tensão calculada” com a China. O Pentágono afirma que a ordem de Xi Jinping é para que as forças armadas estejam prontas para tomar a ilha até 2027. Portanto, 2026 é um ano crucial. Isso explicaria por que, há menos de dez dias, o Exército de Libertação Popular (ELP) sobrevoou o espaço aéreo taiwanês sobre Pratas, uma ilha menor que abriga fuzileiros navais e membros da guarda costeira, com um drone de vigilância.
O objetivo, segundo relatos, era testar a resposta de Taipei a uma violação do espaço aéreo sem provocar uma escalada militar indesejada, de acordo com o Instituto para o Estudo da Guerra. Não se sabe se o drone continha componentes de inteligência artificial, mas o ocorrido ajuda a compreender os objetivos de Pequim e a autonomia de seu armamento, sem descartar a possibilidade de que uma falha técnica possa precipitar uma nova guerra.
