“Não há nenhum plano ou operação em andamento ou em elaboração nos termos mencionados”, afirmou o Ministério da Defesa do Brasil sobre a suposta “Operação Imeri”, que seria totalmente inviável e inconveniente para o governo brasileiro, que coloca à prova sua continuidade nas eleições do próximo ano.

Recentemente, o site DefesaNet publicou uma reportagem expondo um suposto plano secreto do governo brasileiro para “resgatar” Nicolás Maduro. A chamada “Operação Imeri” se baseia em “sussurros” de “círculos fechados dentro do Itamaraty”, bem como na alegação de que as discussões iniciais sobre o plano ocorreram entre 21 e 22 de agosto deste ano, em Bogotá, durante uma reunião entre os chanceleres do Brasil e da Venezuela.

Supondo que as fontes que apoiam esta reportagem sejam mais confiáveis ​​do que aquelas que não sabem quem é o atual Ministro do Interior ou que ainda acreditam que o chavismo conseguiu mobilizar os 4,5 milhões de milicianos que alegava ter, vamos avaliar a viabilidade do governo de Luiz Inácio Lula da Silva receber Maduro no Brasil.

Atualmente, a relação entre os Estados Unidos e o Brasil vive um período de alta tensão, resultante das tarifas impostas por Washington e das sanções individuais contra tiranos brasileiros e seus aliados. Somam-se a isso a perseguição política, a censura e a repressão aberta contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. O Itamaraty não conseguiu estabelecer canais diplomáticos estáveis ​​para tratar dessas questões e, em vez disso, o governo optou por lançar uma campanha interna sob a narrativa de “defender a soberania contra os traidores da pátria”.

Como se não bastasse, no próximo ano haverá eleições presidenciais, legislativas e para governadores. E se há algo que prejudica gravemente a imagem pública de Lula é sua proximidade com Maduro. Faz sentido que Lula o receba justamente em um momento tão delicado para sua projeção política?

Além disso, o Itamaraty reafirmou recentemente que não reconhece a legitimidade das eleições de 28 de julho de 2024 na Venezuela. Não seria contraditório oferecer asilo a Maduro no Brasil após essa postura oficial sustentada?

Enquanto eu escrevia estas linhas, o veículo de comunicação brasileiro Metrópoles publicou uma reportagem confirmando que o Ministério da Defesa brasileiro negava a existência da Operação Imeri. As palavras exatas: “Não há nenhum plano ou operação em andamento ou em andamento nos termos mencionados”. O veículo também destaca que “fontes ligadas ao Itamaraty informaram 
ao Metrópoles que o possível plano de resgate de Maduro nunca esteve na pauta entre Vieira e Gil”.

Infelizmente, na busca por engajamento e cliques nas redes sociais, a desinformação está se tornando comum. Isso é preocupante, especialmente porque quem mais sofre são os cidadãos sedentos por informações verdadeiras. O público precisa lidar não apenas com a máquina de propaganda do regime, que mente e censura à vontade, mas também com aqueles que, em nome do conteúdo viral, priorizam a monetização de suas plataformas em vez da investigação e disseminação da verdade.