Por Oriana Rivas
As sanções, que incluem Alejandro Castro Espín, filho do ex-ditador, podem ser interpretadas como uma mensagem implícita cujos detalhes Washington não revela.
A administração Trump pretende continuar pressionando a ditadura cubana. Por esta razão, anunciou novas sanções contra o regime de Castro. A lista inclui Lis Cuesta Peraza, esposa do ditador Miguel Díaz-Canel; Manuel Anido Cuesta, enteado do presidente; Raúl Alejandro Castro Calis, neto de Raúl Castro; e Alejandro Castro Espín, filho do ex-ditador.
As sanções surpreenderam os líderes do regime de Havana, a tal ponto que, para manter a retórica de vitimização que caracteriza a ditadura, o Ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, classificou as novas medidas do Departamento do Tesouro como “o exemplo mais recente do plano intervencionista dos EUA” para retratar a ilha “como uma ameaça à segurança nacional dos EUA”. O ministro recorre a esse argumento para desviar a atenção, quando, na realidade, as restrições visam apenas parentes daqueles que estão no poder.
Os indivíduos mencionados na lista do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) terão seus bens sob jurisdição dos EUA congelados, com efeito imediato. A decisão do Departamento do Tesouro também proíbe transações financeiras e comerciais com os indivíduos e entidades designados. Mas não é só isso. O Ministério das Forças Armadas de Cuba, os Comitês de Defesa da Revolução (CDR), a agência de viagens Amistur, a mineradora La Victoria e o Instituto Cubano de Amizade com os Povos também estão sob sanções.
Alejandro Castro Espín em reuniões com os EUA
As sanções contra Alejandro Castro Espín, filho do ex-ditador Raúl Castro, podem conter uma mensagem implícita que Washington não está especificando. Seu nome veio à tona devido à sua suposta participação em negociações com o governo dos EUA. Cinco meses atrás, quando o presidente Donald Trump confirmou diálogos “com os mais altos escalões” do regime, foi noticiado extraoficialmente que uma delegação chefiada pelo general havia se reunido com um alto funcionário da CIA no México.


Em meados de abril, o regime cubano confirmou um encontro em Havana entre autoridades dos governos americano e cubano, enquanto o site Martí Noticias noticiou que Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro, teria enviado uma carta “secreta” a Trump buscando estabelecer um diálogo direto com o presidente republicano. A decisão de Washington de sancionar um membro da família Castro, participante direto das negociações, pode sugerir desentendimentos ou, talvez, exigências da Casa Branca que não estão sendo atendidas.
A vida luxuosa do clã Castro
Pouco se sabe sobre a vida pessoal de Alejandro Castro Espín, agora alvo de sanções. Sabe-se apenas que ele é filho único de Raúl Castro e sobrinho do falecido ditador Fidel Castro. Sua mãe é Vilma Espín (falecida em 2007) e sua irmã é Mariela Castro. Ele tem dois filhos: Raúl Alejandro (também alvo de sanções neste último anúncio do Departamento do Tesouro) e Fidel Ernesto Castro Calis.
A imprensa independente cubana revelou os luxos de que desfrutam, apesar da miséria sofrida pelo resto da população, demonstrando a contradição entre seu estilo de vida e as doutrinas comunistas proclamadas por sua família. Até 2021, sabia-se que viviam na ilha e também viajavam para a Europa. Seus gostos na época incluíam “frequentar boates, passar férias em suas casas de praia e festejar com amigos”. Não se sabe se, agora que estão na lista do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), esse estilo de vida será afetado.