O epicentro das operações do governo Kast para localizar imigrantes ilegais é o norte do Chile. O centro nevrálgico é a região de Alto Hospício, localizada na província de Iquique, na Região de Tarapacá. Ali, teve início o desmantelamento das organizações criminosas que atuavam ao longo da Rodovia 5 Norte, por meio do plano “Escudo en Ruta”.

O processo de expulsão de imigrantes ilegais no Chile, prometido pelo presidente José Antonio Kast, terá início com a deportação de 40 estrangeiros. O procedimento será realizado por meio de um voo coordenado pela Força Aérea no dia 16 de abril. Essa partida marca a primeira de três deportações em massa mensais que o presidente planeja implementar.

O grupo de cidadãos repatriados partirá em um Boeing 737. Seus destinos serão Colômbia, Equador e Bolívia, após a confirmação das ordens judiciais. Segundo o BíoBío, a Polícia de Investigação (PDI) organizou a transferência a partir da pista 10 da Força Aérea, adjacente à pista do Aeroporto de Santiago.

No entanto, os detalhes sobre os itinerários de expulsão são “tratados como assunto altamente confidencial porque, entre outros motivos, correspondem a uma ação fundamental da campanha do presidente”, indica o veículo de comunicação.

Controle no norte

O epicentro das operações do governo Kast para localizar imigrantes ilegais é o norte do Chile. O centro nevrálgico é a região de Alto Hospício, localizada na província de Iquique, na Região de Tarapacá. Ali, teve início o desmantelamento das organizações criminosas que atuavam ao longo da Rodovia 5 Norte, por meio do plano “Escudo en Ruta”.

Para alcançar resultados a curto prazo, o governo transferiu 4,8 bilhões de pesos, o equivalente a US$ 4,7 milhões, para os Carabineros (Polícia Nacional do Chile). Esses recursos serão utilizados para a aquisição de tecnologia, como câmeras corporais, drones e scanners, capazes de detectar veículos que transportam drogas.

Enquanto isso, Kast defende a partida voluntária em vez da expulsão forçada. Sua mensagem é direcionada aos 336 mil migrantes em situação irregular, um número 30 vezes maior do que o registrado em 2018, quando havia menos de 11 mil estrangeiros nessa situação. O presidente também se dirige aos 37 mil migrantes com ordens de deportação assinadas, metade dos quais são venezuelanos, bem como aos outros 85 mil que aguardam expulsão.

“Não queremos fazer uma perseguição de local em local, mas todos sabem que terão que lidar com o Estado em algum momento”, observou o chefe de Estado, acrescentando que aqueles que solicitarem a entrada no país vindos do exterior, e que puderem comprovar sua identidade e os motivos da viagem, poderão “ter uma chance” de entrar no Chile. Enquanto isso, a trincheira na fronteira, construída em conjunto pelo Exército e pela Direção Regional de Estradas, a apenas 100 metros da Linha Concordia, está apenas 27% concluída. O progresso foi feito em apenas três dos 11 quilômetros planejados.

Objetivos complexos

Em relação aos resultados em maior escala, Kast insiste que “nas contas públicas — não nas deste ano, mas nas do próximo — vamos surpreendê-los com os números”. No entanto, alcançar esses objetivos será difícil para sua administração, considerando que a pesquisa mais recente do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) revela que a opção de retorno é viável apenas para um terço dos venezuelanos que deixaram o país.

O estudo revelou que pelo menos 35% dos migrantes e refugiados venezuelanos em países da América Latina planejam retornar ao seu país. Destes, 9% o farão dentro de um ano. Sem melhorias na segurança, no emprego e nos serviços essenciais na Venezuela, a ideia de retornar é difícil. De fato, 22% expressaram o receio de não encontrarem trabalho e renda suficientes para uma vida digna.

A principal conclusão é que 75% descartam o retorno e 60% afirmam não ter informações suficientes para tomar uma decisão, “evidenciando lacunas significativas em informação e preparo”. No Chile, essa tendência é particularmente acentuada devido à onda de migrantes irregulares que entram no país, 75% dos quais são venezuelanos. Nos últimos três anos, das 127 mil entradas por travessias de fronteira não autorizadas, 68% eram venezuelanos.

Por Gabriela Moreno.