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México compra US$ 12 milhões em medicamentos não certificados do regime cubano

No ano passado, uma fiscalização da Auditoria Superior da Federação detectou que a Neuronic transferiu os recursos públicos recebidos para contas bancárias ligadas ao laboratório cubano AICA e à BioCubaFarma Tesorería, ambas administradas pelo regime de Miguel Díaz-Canel. O dinheiro já foi transferido do México para Cuba por meio do acordo DAF/AD-LPI-0052/2025.

Entre os medicamentos recebidos pelos hospitais mexicanos, encontram-se remédios cubanos fabricados e fornecidos pelo regime de Castro, que não possuem garantias de qualidade. Desde 2025, as unidades de saúde administradas pelo governo de Claudia Sheinbaum acumularam compras de mais de 12 milhões de dólares de um fornecedor ligado a Havana.

A lista de medicamentos enviados da ilha inclui remédios para o câncer, como vincristina, metotrexato, doxorrubicina e cetamina. Há também evidências da entrada de produtos rotulados como “genéricos”, de acordo com o site Latinus.

Segundo o veículo de comunicação, Sheinbaum concedeu diretamente três contratos à empresa Neuronic Mexicana SA de CV, cujo registro faz parte da BioCubaFarma, o grupo estatal formado pelo Conselho de Ministros de Cuba e responsável pelos negócios da ditadura no exterior.

Transferências diretas para o castrismo

No ano passado, uma auditoria secreta do Auditoria Superior da Federação detectou que a Neuronic transferiu os fundos públicos recebidos para contas bancárias ligadas ao laboratório cubano AICA e ao Tesouro da BioCubaFarma, ambos administrados pelo regime de Miguel Díaz-Canel.

O dinheiro já chegou a Cuba vindo do México. Isso foi possível graças ao acordo DAF/AD-LPI-0052/2025. Por meio desse acordo, o governo Sheinbaum adquiriu 19.572 caixas de solução injetável de doxorrubicina. Cada caixa continha 10 ampolas para cobrir os tratamentos de quimioterapia de pacientes com leucemia. Essas doses eram destinadas a carcinomas de mama, ovário e tireoide, bem como linfoma de Hodgkin.

O acordo para a importação de medicamentos cubanos também incluiu 19.060 embalagens de vincristina, um medicamento usado para tratar tumores como o tumor de Wilms e o neuroblastoma. Os fundos foram liberados diretamente pela Biológicos y Reactivos de México (Birmex), uma empresa dedicada à produção, importação e distribuição de vacinas e medicamentos.

No entanto, o histórico de contratos é extenso. Há evidências de outros dois acordos entre o Instituto Mexicano de Seguro Social (IMSS) e a Neuronic com Cuba. O primeiro está registrado como 012NEF001I01725-017-00. Este contrato autorizou a compra de 28.200 unidades de metotrexato, um medicamento que vem sendo administrado a pacientes com câncer desde agosto do ano passado. O IMSS pagou 10,5 milhões de pesos por este medicamento, o equivalente a US$ 583.505.

O estado de Querétaro é o epicentro do recebimento de medicamentos cubanos, onde parece “estranho que, com tantos fornecedores nacionais, tenham escolhido um estrangeiro”. É assim que resume Alejandro Barbosa Padilla, porta-voz da associação Nariz Roja (Nariz Vermelho), dedicada ao apoio a pacientes com câncer. Ele tem atualmente uma denúncia pendente sobre a suspeita de distribuição de produtos não certificados. 

História com registros

Posteriormente, um segundo pagamento de 15,1 milhões de pesos, ou aproximadamente US$ 834.887, foi feito em troca de 33.600 unidades de cetamina, um analgésico administrado, às vezes, em conjunto com a morfina. Esse valor se soma a um pagamento de US$ 7.427 feito três anos antes para um projeto que permitiria a detecção precoce da doença de Alzheimer em ratos.

No entanto, esses acordos não se traduzem em soluções para o setor de saúde no México. Desde outubro, a Compañía Internacional Médica, a Lomedic, a Farmamigo, os Laboratorios Pisa, a Maypo, a Ríos y López Asociados, a Menkes e os Laboratorios Asofarma, juntamente com outras 16 empresas que detêm a maioria dos contratos, cumpriram apenas 1% das entregas estipuladas.

O impacto já é visível. A Frente Nacional pela Família denunciou que os hospitais do Estado do México estão operando sem suprimentos, superlotados e com excesso de pessoal, o que leva à limitação dos serviços. Isso causou a suspensão de tratamentos essenciais, como cirurgias. Tamaulipas, Puebla, Guadalajara, Oaxaca, Guanajuato e Tabasco são os estados mais afetados.

Por Gabriela Moreno.

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