A Quarta Cúpula em Defesa da Democracia abordou três eixos: o multilateralismo, a governança digital e a justiça social. Na prática, o tema central foi a defesa omissa e submissa à ditadura de Cuba, diante de uma possível operação dos Estados Unidos.
A esquerda latino-americana foi dizimada. Lula lamentou mais uma vez que a CELAC esteja morrendo e que os governos progressistas sejam uma minoria fraca e em desintegração, suplantada por uma ressurgência da direita nas Américas e em outros continentes.
Lula celebrou o fato de que, apesar da crise global da esquerda, “o rebanho” está se fortalecendo com as vitórias no México e na África do Sul. Ele omitiu qualquer menção à derrota da esquerda no Chile, em Honduras, ou após 20 anos de socialismo na Bolívia e 25 em São Vicente e Granadinas.
“Acabem com esse maldito bloqueio.” O presidente Lula disse defender a democracia, mas pediu o fim do suposto bloqueio contra a ditadura cubana, a mais antiga e brutal das ditaduras latino-americanas.
O presidente do Brasil não quer que as redes sociais o critiquem. Ele afirmou que a ONU e os governos que defendem a pobreza devem exercer um controle total sobre as redes sociais, semelhante ao que tentou impor a Elon Musk no Brasil.
Liberdade para os criminosos e corruptos. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, mal tinha colocado as malas no hotel quando gritou com toda a força: “Liberdade para Cristina”, a ex-presidente argentina julgada e condenada por corrupção.
Uma declaração em defesa da ditadura. Sheinbaum, que viaja muito pouco, saiu de seu isolamento para pedir unidade em favor da ditadura de Cuba e implorou para que ninguém ousasse invadir o regime comunista com mais de 1.000 presos políticos.
Mais de 130 mil desaparecidos no México são pouca coisa para Claudia Sheinbaum, cuja prioridade é sediar a Quinta Cúpula pela Democracia. O tráfico de drogas, a corrupção e o T-MEC com os Estados Unidos são questões secundárias.
O triste caso do Uruguai e de Yamandú Orsi. O presidente que não teve uma única reunião com os Estados Unidos perde seu tempo em uma agenda ideológica estéril. Um país pequeno deveria ter claras suas prioridades para com seu povo. Orsi perdeu o rumo.
Gustavo Petro, que já está de saída e caminha à beira da total irrelevância, aproveitou a Cúpula para repetir sua retórica em defesa da Palestina, do Irã e da paz total, o que, aliás, foi um fracasso total.
O presidente da Colômbia e ex-guerrilheiro do M-19 propôs a criação de um governo de coalição de dois anos entre a oposição e a ditadura da Venezuela. Mais uma tentativa desesperada de salvar o que restou de seus camaradas chavistas.
Pedro Sánchez, que se ajoelhou diante de Xi Jinping e entregou os dados digitais da Espanha à empresa de telecomunicações Huawei, insiste em impor censura total às redes sociais para evitar críticas incômodas ao seu governo. Democracia pura.
A Cúpula Pobre-Cista consegue somar o México e a África do Sul às suas fileiras. Enquanto a Europa e a América Latina se distanciam desse projeto irracional, estéril e de confronto com os Estados Unidos. Sua credibilidade e apelo político são nulos.
Os países participantes da Cúpula pela Democracia nunca defenderam a democracia em Cuba, na Venezuela e na Nicarágua. Mantiveram silêncio antes e mantêm silêncio agora. É aí que reside seu fracasso e seu iminente declínio. Sua dívida, sua fraqueza e sua principal contradição.
