O senador Flávio Bolsonaro, principal candidato da oposição nas eleições presidenciais, afirmou que essa derrota representa o “fim” do governo de Lula, que será seu adversário nas urnas em outubro.
São Paulo, 29 de abril (EFE) – O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva sofreu uma derrota histórica nesta quarta-feira em votação no Senado, que o deixa em posição frágil no legislativo a cinco meses das eleições.
Os senadores rejeitaram o candidato que Lula havia apresentado para preencher uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), algo que não acontecia desde 1894, há mais de um século.
Jorge Messias, procurador-geral do estado e considerado uma figura muito próxima do presidente, precisava do voto favorável de 41 senadores e obteve apenas 34 apoiadores.
Após o anúncio do resultado, a oposição de direita e centro-direita, que controla o legislativo, comemorou a vitória com gritos de “rejeitado, rejeitado!”.
A escolha de Messias gerou grande resistência desde que Lula o indicou em novembro, à frente do ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco, que também aspirava ao cargo e é muito próximo do atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Lula mantém relações tensas com a Assembleia Legislativa e levou cinco meses para iniciar o processo de votação, a fim de permitir tempo para longas negociações que, no fim, se mostraram infrutíferas.
Após a votação, Jorge Messias disse que enfrentaria “cinco meses de desconstrução” de sua imagem e, sem citar nomes, mas em aparente alusão a Alcolumbre, acrescentou: “Sabemos quem promoveu tudo isso”.
A votação secreta terminou com 42 votos contra o candidato de Lula e 34 a favor, algumas horas depois de uma votação preliminar realizada em comissão do Senado, na qual Messias venceu por cinco votos.
A magnitude da derrota sofrida por Lula e sua candidatura na sessão plenária do Senado causou surpresa no mundo político, que estava acostumado a que as votações no Senado para juízes fossem mera formalidade.
Um governo frágil às vésperas das eleições
A derrota expõe a fragilidade da coligação de partidos que apoia o governo de Lula no legislativo, a apenas cinco meses das eleições de outubro, nas quais será eleito o novo presidente e a Câmara dos Deputados e o Senado serão renovados.
O senador Flávio Bolsonaro, principal candidato da oposição nas eleições presidenciais, afirmou que essa derrota marca o “fim” do governo Lula, que será seu adversário nas urnas em outubro.
“Isso tem um impacto muito forte sobre Lula. É a prova do colapso de sua viabilidade política, do apoio político de Lula no Congresso”, disse Flávio Bolsonaro a repórteres após a votação.
O senador Randolfe Rodrigues, líder do partido governista no Congresso Nacional, observou que “a votação foi influenciada pelo processo eleitoral”.
A votação contra Messias também representa um novo capítulo na luta de poder em curso entre o legislativo e o Supremo Tribunal Federal desde 2023.
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, divulgou uma declaração reconhecendo a prerrogativa do Senado de votar nos indicados para a Suprema Corte e, após a derrota de Messias, disse que aguardaria os próximos passos “com serenidade e senso de responsabilidade institucional”.
Lula tem o direito de indicar outro candidato, mas não há um prazo legalmente definido para que o faça, e ele ainda não anunciou suas intenções.
Os prazos podem ser curtos, dada a proximidade das eleições de outubro e a pressão da oposição para adiar a decisão até depois das eleições.
As últimas pesquisas mostram um empate técnico entre Lula, que busca um quarto mandato, e Flávio Bolsonaro.
A luta pelo poder entre os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário entrará em um novo capítulo nesta quinta-feira, quando o Congresso Nacional realizará uma votação que poderá reduzir a pena de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro por golpe de Estado.
Especificamente, o Congresso votará se irá derrubar o veto do presidente Lula a uma lei para reduzir penas, aprovada pelo legislativo no final de 2025, que foi fortemente criticada por juízes da Suprema Corte.
