A poucas horas da cerimônia de posse presidencial, Kast escolheu seus colaboradores mais próximos para preparar a mudança de comando. Seu assessor de comunicação e conteúdo, Cristián Valenzuela, assim como o analista José Ignacio Palma, são prioridades em seu círculo.

As chances de um imprevisto durante a posse do republicano José Antonio Kast como novo presidente do Chile são praticamente nulas. Ele planejou meticulosamente tudo antes e depois de sua chegada ao Palácio de La Moneda como chefe de Estado.

Apenas algumas horas antes da cerimônia que será realizada na sede do Congresso em Valparaíso, com um número recorde de 1150 convidados — cerca de 200 a mais que na última —, foi divulgado que a equipe do Gabinete do Presidente Eleito (OPE), responsável pelos assuntos administrativos e de comunicação do presidente após a vitória no segundo turno em dezembro, já concluiu a mudança para o Palácio do Governo.

Toda a logística está nas mãos de Julio Feres, engenheiro e amigo de confiança de Kast, que atuará como administrador da sede do Executivo, e do Subsecretário do Interior, Máximo Pavez, que se apresentou como a primeira autoridade designada para assumir suas funções.

Reforços por perto para um breve discurso

Kast escolheu seus colaboradores mais próximos para se preparar para a transição de liderança. Seu assessor de comunicação e conteúdo, Cristián Valenzuela, assim como o analista José Ignacio Palma, são figuras-chave em seu círculo íntimo. Eles foram encarregados de elaborar o discurso que ele fará após receber a faixa presidencial de Gabriel Boric.

Espera-se que ele apresente seu “governo de emergência” em poucos minutos, com foco em segurança e economia. Ele também divulgará um vídeo nas redes sociais para marcar o fim do período de transição de três meses e se reunirá com o Rei Felipe VI da Espanha; o Presidente do Equador, Daniel Noboa; o Presidente da Bolívia, Rodrigo Paz; e o Presidente do Panamá, José Raúl Mulino.

O presidente argentino Javier Milei também deverá participar dessas reuniões; e, embora sua presença tivesse sido inicialmente confirmada, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva cancelou sua viagem planejada ao Chile e será representado por seu ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

Em relação a este último ponto, a Presidência da República não divulgou os motivos do cancelamento de última hora, mas a decisão foi confirmada um dia depois de o senador Flávio Bolsonaro, considerado o principal adversário de Lula nas eleições de outubro, anunciar sua viagem a Santiago para participar da posse.

Seu primeiro ato oficial após assumir o cargo e como presidente interino já está definido. Kast presidirá a abertura do ano letivo na Escola Secundária Augusto D’Halmar, localizada no distrito de Ñuñoa. Em seguida, assinará os primeiros decretos de sua administração, a começar pela nomeação de Alberto Soto como comissário presidencial para a Macrozona Norte, a declaração de estado de alerta sanitário devido às longas filas de espera nos serviços de saúde, o isolamento de presídios e o estabelecimento de controles de imigração.

Depois de receber a faixa

A agenda de Kast está repleta de atividades. De fato, ele realizará 22 reuniões com autoridades internacionais, a primeira das quais será com o congressista sul-coreano Chung Ilyoung.

O dia seguinte à sua posse continuará intenso com a participação na “Oração Ecumênica pelo Povo do Chile e pelo novo Governo”, na Catedral Metropolitana, e ele até avalia visitar os municípios das regiões de Biobío e Ñuble, afetados pela temporada de incêndios.

O mesmo ritmo será assumido pelo gabinete do governo após a posse de Kast. Nesse sentido, a futura ministra da Mulher, Judith Marín, planeja inaugurar o ciclo “Conheça seu ministro”.

“Estou em paz. Esperamos restaurar gradualmente a ordem institucional para que cada chileno sinta mais paz e ordem e perceba que o Chile tem uma grande oportunidade de crescimento”, confessa Kast. No entanto, o caos reina no Congresso às vésperas da eleição, enquanto blocos opostos negociam para manter a presidência da Câmara dos Deputados até 2029.

Por Gabriela Moreno.