Não são poucos os meios de comunicação e analistas que dão como certo que o Irã se submeterá, baixará a cabeça e cumprirá as exigências de Trump. E é aqui que este jogo de poder se intensifica a níveis históricos. Porque, certamente, os Estados Unidos parecem ter em xeque um Irã enfraquecido internamente… Mas não consigo imaginar o Irã encerrando seu programa nuclear, virando as costas para o Hamas e o Hezbollah e, assim, cedendo.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, aprovou que seus ministros realizem conversas com os Estados Unidos, e é só isso. Pronto. É tudo. Este deveria ser o fim deste artigo. Porque qualquer outra coisa que possa acontecer — ou, mais provavelmente, nada além de um “até a próxima” — é apenas acrescentar hipóteses, conjecturas, expectativas… e, precisamente, o mínimo que podemos esperar desta reunião, que será realizada em Istambul nesta sexta-feira, 6 de fevereiro, são expectativas.
A situação é tão complexa que a diplomacia parece não ter lugar aqui. A mesa onde os enviados do Irã e dos Estados Unidos se sentarão está repleta de exigências impossíveis de serem atendidas — nenhuma sequer. Portanto, as chances de negociação parecem tão remotas quanto… Não, metáforas também não se aplicam aqui: o conflito entre os Estados Unidos e o Irã não é apenas tenso, mas quase parece o trecho final de um beco sem saída, sem nenhuma saída, pelo menos não uma agradável ou pacífica.
Não vou entrar em detalhes sobre quem serão os representantes que estarão presentes, representando as duas nações e os demais países envolvidos como mediadores. O importante aqui não é o mensageiro, mas a mensagem.
Vamos começar pelo básico e chegar a uma conclusão que já lhes digo: é difícil, muito difícil, chegar a um acordo diplomático quando não há nada para negociar, quando não há interesses a oferecer. Os Estados Unidos exigem algo do Irã. O Irã não tem nada a oferecer. É simples assim. Dito isso, vamos ao que interessa: as questões nucleares. Um possível apocalipse, a destruição da humanidade… essas coisas que fascinam a todos.
Os Estados Unidos possuem poder naval no Mar Arábico e estiveram muito perto de lançar um ataque contra o Irã. E não devemos duvidar de sua capacidade para isso… porque já o fizeram antes, especificamente em 22 de junho de 2025, alcançando seu objetivo: impedir a capacidade do Irã de enriquecer urânio. Hoje, a Rússia deu carta branca ao Irã para realizar esse processo. O Irã não aceitou. Pelo menos não oficialmente. E não aceitou porque está encurralado. Os Estados Unidos estão prontos para atacar, e não há muito o que considerar… exceto a destruição do mundo.
Porque os enviados de Trump não se sentarão à mesa para discutir uma saída para a crise da guerra. Não. Eles irão exigir o que parece impossível para o Irã aceitar. E independentemente do tom, da gentileza, do respeito, seja o que for, os pontos que os Estados Unidos, repito, exigem, incluem o encerramento, o fim do programa nuclear iraniano e a cessação do apoio a grupos como o Hamas, o Hezbollah e os Houthis no Iêmen. Ambos os pontos parecem praticamente impossíveis para o Irã aceitar. Em primeiro lugar, porque… o Irã deixaria de ser o IRÃ. Essas exigências, independentemente da crise interna iraniana que quase terminou em um golpe, ultrapassam os limites da negociação diplomática. E isso significa que o Irã, como governo, está encurralado, acuado… e não há perigo maior do que um animal selvagem nessa posição.
O governo iraniano está navegando entre a pressão de seu próprio povo e a pressão externa, com a maior potência mundial ameaçando-o e ansiosa para seguir seu avanço constante em direção ao controle das tiranias globais.
Diante do exposto, muitos veículos de comunicação e analistas presumem que o Irã se renderá, abaixará a cabeça e acatará as exigências de Trump. E é aqui que essa luta pelo poder se intensifica a níveis históricos. Porque, certamente, os Estados Unidos parecem ter um Irã internamente enfraquecido sob controle… Mas não consigo imaginar o Irã encerrando seu programa nuclear, virando as costas para o Hamas e o Hezbollah e, assim, cedendo. Esse não é o cenário islâmico. Nunca foi; não está em suas crenças, em seu DNA, em sua religião ou em seu sangue ser conquistado ou humilhado.
É nesse contexto que acredito que a reunião de sexta-feira não passará de uma série de trocas silenciosas, escutas e olhares curiosos. O Irã pode ou não querer levar todo o tempo que julgar necessário antes de emitir qualquer resolução ou tomar quaisquer outras medidas. Em contrapartida, os Estados Unidos não têm paciência para tais jogos.
Ou algo é apresentado que poderá mudar o rumo de qualquer negociação, ou… isto poderá muito bem ser o começo do fim. O fim de quê? De tudo. De todos. Porque estamos falando do Irã. Logo, extremismo. Não há meias medidas. Nem áreas cinzentas. Muito menos agora, quando, pela primeira vez em décadas, o povo iraniano teve a coragem de se levantar contra o terror que o governa. Os líderes do Irã não podem demonstrar mais fraqueza; se o fizerem, seus dias estarão contados, mas se não o fizerem, seus dias provavelmente também estarão contados.
Artigo de Carlos Flores.
