Por Marcelo Duclos

Em entrevista exclusiva ao PanAm Post, Agustín Laje analisou as últimas eleições na América Latina.

O cientista político argentino Agustín Laje falou com exclusividade ao PanAm Post, discutindo seu papel na batalha cultural da região e as situações eleitorais no Peru, na Colômbia e no Brasil. Embora tenha alertado para a contínua hegemonia da esquerda no México, ele acredita que o continente está “se tornando azul”. Em relação ao Peru, previu que Fujimori será a próxima presidente, mas alertou contra tentativas de golpe de esquerda. Na Colômbia, Laje acredita que o candidato de direita tem mais chances do que seu oponente, considerando os resultados do primeiro turno.

Historicamente, tem havido uma tensão entre a academia e a política. Por um lado, os políticos não querem se envolver demais com a ortodoxia conceitual, mas os acadêmicos também não querem se envolver diretamente na arena política. O que levou você a desenvolver essa perspectiva de permanecer na academia enquanto apoia explicitamente os processos políticos relacionados?

“Cheguei à conclusão de que, se a batalha cultural não estiver articulada com as batalhas políticas, não será possível alcançar mudanças profundas. No fim das contas, o Estado continuará usando o monopólio da força e, se a esquerda tiver o controle desse Estado, por mais que se lute culturalmente a partir da sociedade civil, eles acabarão vencendo com relativa facilidade. Terão ao seu lado as universidades, os currículos escolares, os aparatos midiáticos estatizados, o financiamento artístico, cultural, do mundo da literatura e dos intelectuais. Sabemos muito bem que, quando a esquerda governa, ela investe muito dinheiro para que essa máquina funcione a seu favor. Podemos continuar, a partir da sociedade civil, promovendo essa causa por meio de think tanks privados, nossos livros e conferências, mas, no fim das contas, você acaba enfrentando a máquina do Estado, que acaba esmagando você.”

A este respeito, Laje afirmou que a situação política exige duas coisas: primeiro, apoiar o candidato mais distante do socialismo, embora reconheça que alguns estão muito distantes e outros nem tanto. Mas, em segundo lugar, também é importante considerar quem tem a melhor chance de vencer, não apenas no futuro imediato, mas também em relação às perspectivas futuras.

Em relação ao segundo turno das eleições no Peru, o cientista político argentino considerou a apertada vitória de Keiko Fujimori “irreversível”. Em sua opinião, os votos dos peruanos no exterior foram essenciais para que ela vencesse por uma margem tão pequena. “No primeiro turno, houve fraude significativa contra o candidato Rafael López Aliaga para impedi-lo de avançar para o segundo turno. É importante lembrar que Castillo, que tem aliança com Roberto Sánchez, tentou orquestrar um golpe. A esquerda peruana, que tem muito mais em comum com o socialismo do século XX do que com as vertentes atuais que conhecemos, poderia tentar outro golpe pela força”, alertou.

Em relação ao segundo turno na Colômbia, Laje afirmou que o cenário é semelhante ao da Argentina em 2023. Um segundo turno entre o representante da nova direita e o governo de esquerda, com o tradicional centro-direita marginalizado. “Dado o inesperado avanço de Abelardo de la Espriella sobre Iván Cepeda, o candidato de direita tem mais votos a ganhar daqueles que votaram no terceiro e no quarto colocados”, declarou.

Tendo conquistado apenas metade dos votos do que considerava um candidato de “centro-direita” e um candidato de “centro”, De la Espriella não teria dificuldades em vencer o segundo turno. “Nas últimas eleições, apoiei o partido que lançou este candidato, representando o que poderíamos chamar de nova direita. Embora tenha obtido um resultado modesto, após a vitória de Petro, eu sabia que o projeto de esquerda não conseguiria se consolidar, já que o eleitorado colombiano não é predominantemente socialista. Mas precisamos garantir o resultado da eleição, visto que o presidente em exercício está violando a lei ao fazer campanha”, enfatizou.

“No Brasil, Flávio Bolsonaro tem boas chances de derrotar Lula. Se isso acontecer, o mapa ficará azul, e poderemos então falar de uma espécie de hegemonia neo-direitista na América Latina”, concluiu.