O apoio à energia nuclear também está em seu nível mais alto da última década nos EUA, onde quase seis em cada dez adultos, ou seja, 59%, são a favor da construção de mais usinas nucleares, de acordo com a última pesquisa do Pew Research Center, o que inclui a maioria dos republicanos e democratas.

Miami (EUA), 27 de abril (EFE) – O governo Trump prometeu um “renascimento da energia nuclear” nos Estados Unidos para reforçar o fornecimento de eletricidade, em linha com relatos que alertam para o aumento da demanda impulsionada por centros de dados de inteligência artificial (IA) e interrupções no fornecimento de energia decorrentes da guerra no Irã.

A energia nuclear representa 20% da energia nos Estados Unidos, que concentra 30% da produção global dessa fonte, mais do que qualquer outro país, mas esse primeiro número pode dobrar nas próximas duas décadas, disse à EFE James Walker, CEO da NANO Nuclear Energy, uma empresa de tecnologia do setor.

“Acho muito razoável que, até 2030, esses 20% subam para 30% somente nessa década, caso toda a energia nuclear projetada se concretize. E, além disso, será muito mais comum a implantação de pequenos reatores em locais onde a energia nuclear nunca foi utilizada”, explicou ele em entrevista.

O físico nuclear apontou para uma ordem executiva assinada por Trump em 2025 para adicionar 5 gigawatts (GW) de potência aos reatores nucleares existentes nos Estados Unidos e ter 10 novos reatores de grande porte em construção até 2030, o que o Departamento de Energia (DOE) chamou de “caminho para o renascimento da energia nuclear”.

Em janeiro passado, o Departamento de Energia (DOE) também anunciou um investimento de US$ 2,7 bilhões para restaurar o enriquecimento de urânio nos Estados Unidos nos próximos 10 anos.

Com isso, os EUA quadruplicariam sua capacidade nuclear para 400 gigawatts de eletricidade até 2050, de acordo com a Associação Nuclear Mundial (WNA), que relata 94 reatores em operação no país norte-americano, onde geram 55% da eletricidade livre de carbono.

A guerra no Irã, que provocou um aumento de mais de 50% no preço do petróleo, aceleraria a transição para a energia nuclear, de acordo com empresas como a NANO Nuclear Energy.

“Nos EUA, eles estão reduzindo os prazos de licenciamento e os custos burocráticos para que isso aconteça, e o motivo pelo qual querem fazer isso é uma maior soberania energética, menor dependência de combustíveis fósseis e, muito importante, há muitas indústrias nacionais que precisam de uma base energética robusta”, disse Walker.

A demanda atômica por IA

Desde a presidência de Joe Biden (2021-2025), o Departamento de Energia dos EUA prevê um aumento de 20% na demanda por eletricidade na próxima década, em parte devido aos centros de dados com inteligência artificial.

Segundo um relatório da Agência Internacional de Energia (IEA), o consumo de energia dessa infraestrutura para inteligência artificial aumentará 15% ao ano entre 2024 e 2030, representando 3% do consumo energético global, o dobro do valor atual.

Portanto, Walker destaca que as empresas de tecnologia estão pressionando a Casa Branca para que apoie a energia nuclear, pois essa é “realmente a única solução”, já que os novos reatores são menores, mais potentes, independentes e podem ser instalados longe das cidades.

Como exemplo, a Amazon adquiriu um centro de dados na Pensilvânia por US$ 650 milhões, que recebe energia da usina nuclear de Susquehanna, localizada ao lado, enquanto a Microsoft fechou um acordo para reativar parte da usina nuclear de Three Mile Island, no mesmo estado, de acordo com um relatório da Brookings Institution, um dos centros de estudos mais influentes do país.

Um quinto da energia consumida pelos centros de dados de IA já provém de fontes nucleares, conforme apontado no relatório publicado em 10 de abril.

Existe algum tipo de suporte?

O apoio à energia nuclear também está no seu nível mais alto na última década nos EUA, onde quase seis em cada dez adultos, 59%, são a favor de mais usinas nucleares, de acordo com a mais recente pesquisa do Pew Research Center, que inclui a maioria dos republicanos e democratas.

Nesse contexto, Walker acredita que todos os estados “estarão competindo” para instalar reatores em seus territórios e atrair investimentos.

“Durante a Guerra Fria, obviamente, sempre existiu a ameaça de destruição nuclear, mas essa geração está envelhecendo e a geração mais jovem é a mais pró-nuclear de todas”, disse o especialista.