O principal objetivo é rastrear o dinheiro supostamente desviado por altos funcionários do chavismo e identificar contas, empresas de fachada e intermediários financeiros utilizados para transferir fundos para fora da Venezuela. No centro dessa trama, surge novamente Alex Saab.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos mantém em andamento uma segunda investigação criminal contra Nicolás Maduro, desta vez centrada em supostos crimes financeiros e de lavagem de dinheiro em Miami. O processo, que decorre paralelamente ao processo por narcoterrorismo que ele enfrenta em Nova York, amplia o cerco judicial e aponta diretamente para as redes financeiras do chavismo.
Fontes ligadas ao caso, citadas pelo correspondente David Alandete na ABC, indicaram que as investigações começaram meses antes da captura de Maduro em janeiro, que permanece em uma prisão federal no Brooklyn enquanto aguarda julgamento por acusações relacionadas a conspiração narcoterrorista, importação de cocaína, posse de metralhadoras e conspiração para possuí-las.
A nova investigação está sendo liderada pelo Gabinete do Procurador dos Estados Unidos para o Distrito Sul da Flórida, considerado um dos mais atuantes nos Estados Unidos no combate à corrupção e à lavagem de dinheiro na Venezuela. A equipe é chefiada pelo Procurador dos Estados Unidos Michael Berger e conta com o apoio do FBI, do Departamento de Segurança Interna e da Receita Federal (IRS).


A “rota do dinheiro” e o papel de Alex Saab
Segundo informações da ABC, o principal objetivo é rastrear o dinheiro supostamente desviado por altos funcionários chavistas e identificar contas, empresas de fachada e intermediários financeiros usados para transferir fundos para fora da Venezuela. No centro desse esquema está, mais uma vez, Alex Saab, empresário colombiano e colaborador próximo de Maduro, considerado por anos um dos principais operadores econômicos do regime.
Saab foi recentemente deportado para Miami e enfrenta novas acusações de lavagem de dinheiro relacionadas ao programa estatal CLAP, uma iniciativa criada para distribuir alimentos subsidiados na Venezuela e marcada por inúmeras alegações de corrupção. Os promotores americanos suspeitam que parte dos fundos do programa foi usada para enriquecer altos funcionários e financiar operações internacionais do regime chavista.
O empresário já havia sido detido nos Estados Unidos após ser extraditado de Cabo Verde em 2021. No entanto, em 2023, ele foi indultado pelo governo de Joe Biden como parte de uma troca de prisioneiros com Caracas. Seu recente retorno aos Estados Unidos reacendeu as investigações e pode se tornar uma peça-chave de evidência que liga diretamente Maduro a operações internacionais de lavagem de dinheiro.
Fontes diplomáticas informaram à ABC que a deportação de Saab reflete um progresso que também pode facilitar o acesso dos procuradores americanos a informações sensíveis sobre as finanças do chavismo, desmantelando as estruturas financeiras construídas ao longo de anos em torno desse regime.