Por Equipe do PanAm Post

No contexto do segundo turno das eleições presidenciais na Colômbia, o presidente Gustavo Petro causou grande polêmica política durante um evento no estado de Córdoba, ao afirmar que os latifundiários da região “se acostumaram a tratar as mulheres como se fossem vacas”.

O presidente, que não parou por aí, acrescentou que esses mesmos latifundiários “entregaram suas filhas, rainhas da beleza, para dormir com os líderes paramilitares de Antioquia”.

Seu discurso sobre o assunto imediatamente inflamou o debate público, usando uma analogia que equipara mulheres a gado e alimentando uma narrativa que retrata as mulheres de Córdoba como vítimas passivas entregues por suas famílias, revivendo estigmas históricos sobre a região.

As declarações surgem num momento de máxima tensão eleitoral, em que ambas as forças opostas procuram consolidar votos em estados como Córdoba, tradicionalmente disputados e com uma história marcada por conflitos armados e paramilitarismo.

Vote pela vida “antes de fazer amor”

O discurso de Petro não foi isento de controvérsia, não apenas entre as mulheres de Córdoba, mas também entre a população em geral. Ao subir ao palco para seu habitual discurso inflamado, Petro exortou os colombianos a votarem em 21 de junho, data do segundo turno das eleições entre os candidatos Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda, este último o candidato escolhido pelo presidente para manter no poder a coalizão de esquerda conhecida como Pacto Histórico.

“Quando um homem e uma mulher se abraçam na cama, antes de fazer amor… Vote pela vida”, enfatizou o chefe de Estado colombiano, que, apesar de já ter um inquérito criminal aberto contra ele por suas declarações, continua a inflamar a opinião pública.

Anteriormente, a Comissão de Investigação e Acusação da Câmara dos Representantes da Colômbia abriu um inquérito criminal de ofício contra Petro por alegada interferência política no período que antecedeu as eleições presidenciais.

O comunicado, assinado pela presidente da Comissão, Gloria Elena Arizabaleta, indica que a decisão foi tomada após as “últimas declarações e publicações nas redes sociais” do presidente relacionadas às eleições, antes do primeiro turno, em 31 de maio.

A legislação colombiana proíbe que funcionários públicos participem de atividades políticas ou intervenham em disputas eleitorais, com exceção do direito de voto. Atualmente, o Presidente da Colômbia goza de imunidade constitucional, o que significa que não pode ser investigado ou julgado pelos tribunais comuns enquanto estiver no cargo.