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Em busca do “sonho de direita”: O que se sabe sobre o curioso aumento da migração para o Paraguai?

A tendência política de direita do Paraguai atrai os brasileiros cansados do terceiro mandato socialista de Lula da Silva.

Ninguém previu, mas está acontecendo sem qualquer alvoroço diplomático até o momento: o sotaque português dos brasileiros está se tornando cada vez mais comum nas ruas do Paraguai. O motivo? Eles são a nova onda silenciosa de migrantes na América Latina, buscando não apenas uma vida mais confortável com impostos mais baixos, mas também escapar do impacto econômico, social e ideológico da esquerda em seu país.

Ciudad del Este é o epicentro fronteiriço do fluxo migratório proveniente do Rio de Janeiro, São Paulo, Campo Mourão (interior do Paraná) e até mesmo de Anápolis, que pertence ao estado de Goiás. Em seu departamento de imigração, somente entre janeiro e março deste ano, das 18 mil autorizações temporárias de residência em qualquer um dos 17 departamentos que compõem o país, 9.200 foram solicitadas por brasileiros — ou seja, mais de 50% dos requerentes.

O número está se aproximando rapidamente dos 23.500 brasileiros que obtiveram o documento no ano passado, o qual lhes permite residir e trabalhar legalmente, segundo a BBC News Brasil. Entre eles estão estudantes, empresários e empreendedores.

A maioria das pessoas que aguardam na fila e conversam com os agentes de imigração concorda que “o Brasil não oferece mais oportunidades” para suas aspirações pessoais. Elas também afirmam que a falta de “estabilidade” durante o terceiro mandato do socialista Luiz Inácio Lula da Silva as deixou com um sentimento de opressão. “É um governo que só nos prejudica. Nós, da direita, não temos liberdade”, disse uma brasileira aposentada ao veículo de comunicação.

Demanda em ascensão

O interesse no Paraguai surpreende as autoridades. Cornelio Melgarejo, diretor de Migração do departamento do Alto Paraná, na fronteira com o Brasil, reconhece isso, relatando que, em média, 130 estrangeiros por dia solicitam residência.

Nesse ritmo, a agência registrou mais de 47.600 solicitações em 2025. Destas, 58% vieram de brasileiros. Essa alta demanda indica que pelo menos 263.000 brasileiros já vivem no Paraguai, tornando-o uma das maiores comunidades estrangeiras do país.

Eles são atraídos principalmente pelas tendências políticas de direita do Paraguai. Valorizam o fato de o atual chefe de Estado, Santiago Peña, ser o nono dos dez líderes que governaram o país desde a ditadura do General Alfredo Stroessner em 1989, representando essa orientação política.

O governo paraguaio, por sua vez, acolhe favoravelmente a implementação do seu programa Migramóvil, que oferece garantias legais a quem deseja se estabelecer no Paraguai. Esta medida visa capitalizar o fluxo migratório e considerá-lo uma forma de impulsionar a economia local.

De fato, este ano estão programadas 19 operações para receber a documentação em Ciudad del Este, Pedro Juan, Salto del Guairá, Cambyretá, Yabebyry (Misiones) e outros distritos do sul do país, como Filadélfia e Carmelo Peralta, para facilitar os procedimentos de residência temporária e permanente, substituição de carteiras de identidade e outros procedimentos.

Política fiscal atrativa

O objetivo do governo é atrair futuros investidores dentre o fluxo de brasileiros paraguaios, destacando sua política tributária mais flexível em comparação com a do Brasil. A campanha enfatiza que seu sistema tributário simplificado “10-10-10”, que concentra os três impostos mais importantes — Imposto sobre Valor Agregado (IVA), Imposto de Renda Pessoa Física e Imposto de Renda Pessoa Jurídica — todos com a mesma alíquota de 10%, fomenta o crescimento e a lucratividade.

Essa mensagem contrasta fortemente com a realidade tributária do Brasil, onde o plano é unificar cinco impostos federais, estaduais e municipais até 2033, com alíquotas que variam de 25% a 28%. Além disso, no Brasil, a alíquota do imposto de renda varia entre 7,5% e 27,5% para pessoas físicas, enquanto para empresas privadas a alíquota inicial é de 15%, acrescida de 10% sobre lucros acima de 20.000 reais, o equivalente a aproximadamente US$ 4.025 por mês.

Entusiasmo limitado

A menor carga tributária no Paraguai é o foco de material promocional nas redes sociais brasileiras. Os vídeos que circulam online destacam as “vantagens econômicas” de se mudar para lá.

Por trás do conteúdo estão influenciadores brasileiros que moram ou fazem compras no Paraguai, bem como empresas dedicadas a fornecer serviços de consultoria para aqueles que desejam seguir o mesmo caminho.

Contudo, o entusiasmo dos brasileiros no Paraguai é limitado. As estatísticas confirmam isso, mostrando que, das 23.500 solicitações de residência apresentadas por brasileiros, apenas 4.600 (19%) foram para residência permanente. O retorno ao Brasil após dois anos é comum, visto que, embora o salário mínimo oficial seja superior ao do Brasil (equivalente a US$ 462), a taxa de emprego informal é de 62,5%, um número muito maior do que os 37,5% do Brasil. Além disso, a pobreza extrema afeta 4,1% da população do país, em comparação com 3,5% no Brasil.

Por Gabriela Moreno.

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