De acordo com o jornal El Nuevo Herald, cinco ônibus movidos a esse gás entrarão em operação em breve. O projeto surge como resposta às dificuldades energéticas decorrentes da redução do fornecimento de petróleo e das tensões com os Estados Unidos.
Em meio à persistente escassez de combustível em Cuba, uma iniciativa local busca oferecer uma alternativa sustentável para o transporte público. No município de Martí, na província de Matanzas, os primeiros ônibus movidos a biometano, um combustível renovável gerado a partir de dejetos suínos, começarão a operar.
Segundo o jornal El Nuevo Herald, cinco ônibus movidos a esse gás entrarão em operação em breve. O projeto surge como resposta às dificuldades energéticas decorrentes da redução da oferta de petróleo e das tensões com os Estados Unidos.
O sistema é baseado em biodigestores instalados em granjas de suínos, onde o gás produzido pelos dejetos é capturado. Esse gás passa então por uma estação de tratamento — a primeira desse tipo na ilha — que remove dióxido de carbono, umidade e impurezas. A instalação tem capacidade para gerar 150 metros cúbicos de gás por hora, o suficiente para manter os veículos em funcionamento.
Estima-se que esta iniciativa beneficie cerca de 20.000 pessoas, especialmente ao longo de importantes vias de ligação entre hospitais em cidades como Colón, Cárdenas e Matanzas. No entanto, o projeto enfrenta desafios logísticos significativos.
Um dos principais obstáculos é o declínio na produção de suínos, causado pela escassez de ração, o que limita a disponibilidade de matéria-prima para a geração de biometano. Sem suínos, o sistema perde sua base.
Entretanto, Cuba recebeu recentemente um carregamento de petróleo russo a bordo do navio Anatoly Kolodkin, contendo aproximadamente 100 mil toneladas de petróleo bruto. Este carregamento ocorre em meio à pressão internacional, marcada pelas declarações de Donald Trump contra o governo de Miguel Díaz-Canel.
Embora promissor, o futuro do biometano em Cuba dependerá da superação desses desafios estruturais.
