A variante Andes, uma das mais perigosas e a única que pode ser transmitida de pessoa para pessoa, é a predominante no Chile e na Argentina, de onde partiu, em 1º de abril, o navio de cruzeiro MV Hondius, no qual foi registrado um surto de hantavírus, com oito infectados e três mortos.

Santiago, Chile, 6 de maio (EFE) – O Chile, onde o hantavírus é endêmico, confirmou pelo menos 39 casos da doença este ano e 13 mortes, representando uma taxa de mortalidade de 33% e um aumento em comparação com 2025, informou o Ministério da Saúde à EFE .

As infecções foram registradas em 9 das 16 regiões do país, principalmente na zona centro e sul: Metropolitana (que inclui Santiago), O’Higgins, Maule, Ñuble, Biobío, La Araucanía, Los Ríos, Los Lagos e Aysén.

Em 2025, foram registrados no Chile um total de 44 casos de hantavírus e oito mortes em decorrência da doença, resultando em uma taxa de letalidade de 18%, segundo o ministério.

Segundo dados epidemiológicos públicos, entre 2020 e 2024, foram registrados entre 30 e 70 casos por ano no Chile, com uma taxa de letalidade de 26% nesse período de cinco anos.

“A maior taxa de mortalidade (em 2026) pode estar relacionada a fatores específicos dos pacientes e ao tempo de diagnóstico, o que reforça a importância de consultar um médico prontamente caso surjam sintomas compatíveis”, afirmou o Ministério da Saúde em comunicado enviado à EFE.

Surto a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius 

A variante andina, uma das mais perigosas e a única que pode ser transmitida de pessoa para pessoa, é predominante no Chile e na Argentina, de onde partiu o navio de cruzeiro MV Hondius em 1º de abril, onde foi registrado um surto de hantavírus, com oito infectados e três mortos.

O vírus, que pode causar complicações cardiorrespiratórias graves, é transmitido pelo chamado rato-de-cauda-longa, uma espécie que vive principalmente nas florestas úmidas do sul do Chile e da Argentina.

A maioria dos casos de hantavírus no Chile, geralmente registrados durante o verão austral, ocorre por transmissão direta entre o animal e a pessoa através da inalação de partículas virais presentes nas fezes, urina e saliva de roedores.

“O último caso documentado de transmissão de pessoa para pessoa no Chile data de 2019 e foi uma situação isolada e controlada”, afirmou o Ministério, que mantém um alerta sanitário nacional desde janeiro.

Segundo uma das hipóteses da Organização Mundial da Saúde (OMS), um dos oito passageiros do navio de cruzeiro pode ter sido infectado na Argentina antes do embarque.

Investigações de campo

O governo argentino está investigando se as duas primeiras pessoas a apresentarem sintomas a bordo do navio de cruzeiro foram infectadas em terra antes do embarque, já que se tratava de um casal holandês (ambos falecidos) que passou quatro meses viajando entre a Argentina, o Chile e o Uruguai.

O Ministério da Saúde do Chile, no entanto, indicou que “atualmente não há evidências de que os casos confirmados do navio de cruzeiro tenham passado por território nacional”.

“Da mesma forma, o Centro Nacional de Coordenação do Ministério da Saúde já solicitou informações a esse respeito à Organização Mundial da Saúde, nos termos do Regulamento Sanitário Internacional”, acrescentou o ministério.