De acordo com dados preliminares divulgados pelo órgão eleitoral ao final da votação de domingo, Rodrigo Paz Pereira obteve 32,14% e Jorge “Tuto” Quiroga 26,81%.
La Paz, 19 de agosto (EFE) – O novo governo da Bolívia, que será eleito em outubro em um segundo turno inédito entre o senador Rodrigo Paz Pereira e o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga, ambos membros da oposição, deve enfrentar urgentemente a crise do país, refletida na escassez de dólares e combustível, e na pior inflação das últimas décadas.
De acordo com dados preliminares divulgados pelo órgão eleitoral ao final da votação de domingo, Rodrigo Paz Pereira obteve 32,14% e Jorge “Tuto” Quiroga 26,81%.
Aqui estão alguns pontos-chave sobre a situação econômica boliviana e as principais propostas de ambos os candidatos para resolvê-la:
1. Dólares e reservas
Desde o início de 2023, a Bolívia enfrenta uma persistente escassez de dólares, coincidindo com o relatório de que as reservas internacionais líquidas (RIL) do país atingiram US$ 3,148 bilhões, em comparação com o recorde de US$ 15,122 bilhões registrado em 2014.
No primeiro semestre deste ano, as reservas atingiram US$ 2,807 bilhões, segundo o Banco Central da Bolívia (BCB).
A obtenção de moeda estrangeira está cada vez mais difícil, já que o sistema financeiro restringiu progressivamente as transações em dólar, tanto dentro quanto fora da Bolívia, mesmo para usuários que possuem poupança nessa moeda. No mercado negro, a moeda chegou a custar 20 bolivianos e agora é negociada a 13 bolivianos, em comparação com o preço oficial de 6,96.
2. Combustíveis e subsídios
No último ano, filas de veículos esperando horas para abastecer com gasolina ou diesel se tornaram uma constante, combustíveis que são, em sua maioria, importados de vários países, já que a produção local desses líquidos não consegue atender à demanda interna.
Em julho, o governo Luis Arce informou que as importações de combustível exigem aproximadamente US$ 3 bilhões anualmente, enquanto a venda de gasolina e diesel no mercado interno ao preço subsidiado atual exige um gasto de aproximadamente US$ 2 bilhões.
O governo Arce atribui as dificuldades no fornecimento de combustível ao “bloqueio” no financiamento de empréstimos externos pelo legislativo.
3. Alimentos caros
Outro problema é o aumento do preço de alguns produtos básicos, refletido na inflação acumulada de 16,92% entre janeiro e julho deste ano, acima da projeção do governo de 7,5% para todo o ano de 2025.
A maior inflação mensal registrada até agora neste ano foi registrada em junho, em 5,21%, percentual atribuído pelo governo aos bloqueios realizados por apoiadores do ex-presidente Evo Morales (2006-2019) para forçar o registro de sua candidatura nas recentes eleições gerais, o que acabou não ocorrendo.
4. Contra a “barreira estatal”
Uma das principais propostas de Paz Pereira, candidato do Partido Democrata Cristão (PDC), é acabar com o “estado tranca” e destinar 50% do orçamento geral diretamente às nove regiões bolivianas, além de cortar US$ 1,3 bilhão no que ele considera gastos estatais “supérfluos”.
Seu programa de governo também propõe congelar as atividades de todas as empresas públicas deficitárias, liberalizar as exportações e criar um “Fundo de Estabilização da Taxa de Câmbio” para “unificar a taxa de câmbio, usando recursos livremente disponíveis negociados com bancos multilaterais”, entre outras coisas.
5. Visita ao FMI
Quiroga (2001-2002), que concorreu pela Aliança Livre, propôs recuperar a economia buscando primeiro um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para recuperar os dólares e depois com outras organizações, como o Fundo de Reserva Latino-Americano (FLAR) e outras organizações, como o Banco Mundial, o Banco Interamericano de Desenvolvimento e o Banco de Desenvolvimento da CAF.
Também propõe reduzir o número de ministérios, vice-ministérios, entidades descentralizadas e funcionários estaduais, atrair investimentos estrangeiros com impostos mais baixos, incentivar o sistema financeiro a fornecer empréstimos a empresas e negócios e criar empregos, entre outras coisas.