O governo argentino enviará ao Congresso uma série de projetos de lei para consolidar a propriedade privada e fomentar o investimento.
Após a aprovação de diversas leis importantes no parlamento, como a reforma da modernização do trabalho e as alterações ao Código Penal relativas à redução da idade de responsabilidade penal, o governo de Javier Milei apresentará um novo conjunto de projetos, nos quais busca consolidar o respeito pela propriedade privada e atrair investimentos.
Uma das medidas visaria os ” despejos sumários ” para devolver os imóveis aos seus legítimos proprietários, imóveis que possam ter sido ocupados ilegalmente. Este problema, facilitado pela cumplicidade de muitos governos, como infelizmente acontece hoje na Espanha, afeta proprietários que sofreram a intrusão de ocupantes ilegais, mas também inquilinos que inicialmente pagavam renda, mas acabaram por permanecer no imóvel à força.
Embora a atual administração tenha feito progressos nessa área (levando até mesmo rivais eleitorais como o PRO a também melhorarem a situação em distritos importantes como a Cidade Autônoma de Buenos Aires), o objetivo agora é aprovar uma legislação que devolva os imóveis aos seus legítimos proprietários em menos de cinco dias. “Precisamos combater o flagelo nacional dos ocupantes ilegais com uma lei de despejo que agilize o processo, remova rapidamente os infratores e devolva os imóveis aos seus donos em menos de cinco dias”, enfatizou o porta-voz e chefe de gabinete, Manuel Adorni, em coletiva de imprensa realizada esta manhã.
Além de incentivar o investimento, esta iniciativa visa impulsionar ainda mais o mercado de aluguel, que conseguiu se recuperar após a revogação da lei que o regulamentava. Embora inquilinos e proprietários tenham mais ferramentas para elaborar seus contratos, o problema dos ocupantes ilegais distorce o mercado, pois faz com que muitos proprietários evitem alugar para estranhos ou pessoas em quem não confiam. Com a regulamentação para despejos sumários, que exige um prazo máximo de cinco dias para a retomada do imóvel, o mercado de aluguel funcionará de forma diferente.
Complementando iniciativas como o Programa de Incentivo a Grandes Investimentos, o governo também pretende revogar normas que impedem a aquisição de terras por pessoas físicas e jurídicas estrangeiras na Argentina. Em diversos setores, como o de energia, essas normas dificultam os investimentos que a atual administração busca atrair, razão pela qual propõe sua revogação.
“Hoje, os principais empresários do mundo veem a Argentina como uma oportunidade histórica de investimento. Alguns setores, como petróleo, mineração e agricultura, exigem a compra de grandes extensões de terra para se desenvolverem. Não podemos permitir que esses projetos sejam frustrados por meros caprichos ideológicos”, alertou Adorni.
Neste pacote de projetos que o parlamento terá de debater, o governo pretende também destinar 10% das receitas da privatização à aquisição de armamento para a defesa nacional. Além disso, buscará uma concessão de 30 anos para o complexo hoteleiro de Chapadmalal.
Por Marcelo Duclos.
