Após vários meses afastado da mídia, o cientista político argentino concedeu uma entrevista de rádio onde analisou a situação política de diversos países e também comentou sobre o atual estado do governo de Milei.

Durante um intervalo em suas atividades acadêmicas na Espanha, Agustín Laje retornou à América Latina para uma turnê por diversos países, onde apresentou seu trabalho como parte de sua longa campanha cultural. Contudo, nas apresentações do cientista político, a questão da política eleitoral foi tão proeminente quanto os aspectos conceituais. Nesta terça-feira, o autor concedeu uma entrevista a um veículo de comunicação argentino e abordou a situação de diversos governos e questões atuais que envolvem a administração de Javier Milei.

Em entrevista a Nacho Girón, da Rádio Rivadavia, Laje destacou que, desde 2023, a direita conquistou vitórias significativas na região, inclusive nos Estados Unidos. Embora acredite que a situação irá piorar na América Latina e no Caribe, alertou que Donald Trump enfrenta um desafio difícil nas eleições de meio de mandato, que ele pode até perder.

Honduras, Costa Rica, Bolívia e Chile demonstraram progressos políticos claros, indicou Laje, embora tenha esclarecido que a onda de mudanças não terminará aí e se estenderá a outros países com cenários complexos no momento.

Em relação à situação no Peru, que enfrentará um segundo turno entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez, o cientista político considerou que houve uma “fraude tremenda” contra o candidato que representava o que Milei significa para a política argentina: o ex-prefeito de Lima, Rafael López Aliaga. “Eles o deixaram de fora por 20 mil votos, mas com uma fraude monumental”, exclamou.

Para Laje, o país mais complicado da região é o México, que, segundo ele, sofre com a “hegemonia total” do partido governista Morena. “É mais complicado do que países como Venezuela ou Cuba, que já estão vendo a luz no fim do túnel, ou como a Nicarágua, onde os Estados Unidos provavelmente irão atrás de Ortega depois de se livrarem de Díaz-Canel”, disse ele.

Em relação à Colômbia, o pensador argentino destacou que Abelardo de la Espriella tem chances de chegar ao segundo turno contra o partido governista, onde poderia angariar votos do tradicional centro-direita, repetindo um fenômeno semelhante ao que ocorreu nas eleições de 2023 na Argentina.

Em relação às controvérsias que envolveram o governo argentino nas últimas semanas, ele considerou inevitável o atrito entre uma facção de “vanguarda”, referindo-se ao grupo ligado a Santiago Caputo, e outro grupo mais próximo da “política clássica”, como o de Martín Menem.

A este respeito, o especialista alertou que ambas as perspectivas são necessárias para um partido político, mas lamentou que os conflitos estejam sendo expostos publicamente. Mais uma vez, como já havia feito em suas redes sociais, opinou que o presidente foi enganado em relação à conta do X “Periodista Rufus”, uma vez que “análises técnicas” a ligariam ao presidente da Câmara dos Deputados.

Do ponto de vista dele, a divulgação do material daquela conta pode não ter sido diretamente da responsabilidade de Menem, mas foi necessariamente da responsabilidade de alguém do seu círculo íntimo e, em qualquer caso, seria muito mais grave se não fosse, visto que, dadas as informações confidenciais que este utilizador do X geriu, estaríamos falando de um caso muito sério de espionagem.

Por Marcelo Duclos.