A sentença foi proferida pelo Tribunal Penal de Qom por “atentar contra a moral pública por meio da produção e divulgação de conteúdos obscenos e contrários à ética no ambiente virtual”. A República Islâmica do Irã não permite que as mulheres gravem álbuns e elas só podem realizar shows para um público feminino, sem câmeras de vídeo ou fotos.

Teerã, 18 de junho (EFE) – Um tribunal iraniano condenou a cantora Parastoo Ahmadi a 74 chibatadas e dois anos de proibição de cantar por transmitir um show online no final de 2024, no qual apareceu sem véu, em violação das leis da República Islâmica.

“Parastoo Ahmadi, juntamente com outros oito membros da equipe e músicos do concerto virtual, foi condenada a 74 chibatadas corretivas, uma proibição de dois anos de deixar o país e uma proibição de dois anos de exercer atividades artísticas”, informou a página da cantora no Instagram.

A sentença foi proferida pelo Tribunal Criminal de Qom por “ofensa à moral pública através da produção e disseminação de conteúdo obsceno e antiético no ambiente virtual”.

No dia 11 de dezembro, a jovem artista publicou um vídeo de 27 minutos no YouTube de um “show hipotético” realizado em um caravançará histórico, no qual ela aparece vestindo um longo vestido preto, com os ombros à mostra e sem véu, cantando várias músicas, acompanhada por quatro músicos.

Um desafio ao regime islâmico

Dessa forma, Ahmadi desafiou o código de vestimenta rígido e absurdo, bem como a proibição de mulheres cantarem em público.

A República Islâmica do Irã não permite que mulheres gravem álbuns e elas só podem fazer shows para um público feminino, sem câmeras de vídeo ou fotos.

Em menos de 24 horas, as autoridades judiciais iranianas anunciaram que haviam apresentado uma queixa contra a cantora e seus colegas por realizarem o show “sem autorização” e sem respeitar as “normas legais e religiosas”.

Ahmadi já havia enfrentado um processo judicial quando lançou a música “From the Blood of the Fatherland’s Youth” durante os protestos desencadeados pela morte de Mahsa Amini, após sua prisão por não usar o véu islâmico corretamente em 2022.

O desafio da jovem cantora surgiu num momento de tensão na República Islâmica em relação ao uso do véu, dois anos após os protestos em massa desencadeados pela morte de Amini.

Desde então, muitas mulheres iranianas deixaram de usar o véu como forma de desobediência civil e, desde o início de 2025, as autoridades não têm aplicado as leis que tornam o hijab uma vestimenta obrigatória.

Ultimamente, é muito comum ver iranianos sem a cabeça coberta nas ruas de Teerã e de outras cidades do país.