Eileen Wang escondia suas manobras por trás do US News Center, um site “que se apresentava como uma fonte de notícias para a comunidade sino-americana local”.

A renúncia de Eileen Wang, de 58 anos, prefeita de Arcadia, Califórnia, é mais um exemplo da infiltração que o comunismo chinês conseguiu realizar nos Estados Unidos. De fato, tecer redes de influência é uma tática bem conhecida de Pequim para minar seu inimigo por dentro.

Foi a própria prefeita quem decidiu confessar seus crimes. Estes remontam, pelo menos, ao final de 2020 até 2022, quando ela trabalhou ao lado de um cidadão chinês sob a direção e o controle de funcionários do regime de Xi Jinping para disseminar propaganda pró-China nos Estados Unidos. A novidade é que Eileen Wang não apenas renunciou ao cargo, como também concordou em se declarar culpada de atuar nos Estados Unidos como agente ilegal de um governo estrangeiro. Ela enfrenta uma pena de 10 anos de prisão.

Atualmente, não existe um número oficial de espiões chineses nos Estados Unidos. No entanto, em fevereiro de 2025, foi revelado que, nos quatro anos anteriores, foram documentados 60 casos de espionagem perpetrados pelo Partido Comunista Chinês (PCCh) em solo americano. O número, divulgado pelo Comitê de Segurança Interna da Câmara dos Representantes, inclui a transmissão de informações militares sensíveis, o roubo de segredos comerciais, o uso de operações repressivas transnacionais e a obstrução da justiça.

Espiã chinesa recebia ordens por mensagens de texto

Eileen Wang, agora ex-prefeita, e Yaoning ‘Mike’ Sun, de 65 anos – condenado em novembro de 2024 a 20 meses de prisão – esconderam suas manobras por trás do US News Center, um site “que se apresentava como uma fonte de notícias para a comunidade sino-americana local”, detalha o comunicado do Gabinete do Procurador dos EUA.

Em junho de 2021, um funcionário do regime comunista chinês contatou Wang e outros por meio do aplicativo de mensagens criptografadas WeChat, muito popular no gigante asiático, com o objetivo de que divulgassem um ensaio publicado anteriormente no Los Angeles Times. Parte do texto afirmava: “Não há genocídio em Xinjiang; não há ‘trabalho forçado’ em nenhuma atividade produtiva, incluindo a produção de algodão. Espalhar tais rumores visa difamar a China, destruir a segurança e a estabilidade de Xinjiang, enfraquecer a economia local e suprimir o desenvolvimento da China.”

Para cumprir a ordem, Wang publicou o artigo em seu próprio site e respondeu ao oficial da República Popular da China com o link para o artigo. Um mês depois, Wang editou o mesmo artigo a pedido do regime chinês. Junto com a edição, ela também enviou uma captura de tela mostrando que o artigo havia sido visualizado 15.128 vezes. Após ser parabenizada, ela respondeu: “Obrigada, líder”.

A China opera nos EUA com manobras quase invisíveis

A retórica promovida naquele artigo buscava refutar pesquisas comprovadas sobre a escravidão perpetrada pelo regime comunista chinês na região de Xinjiang, lar da minoria muçulmana uigur. Por exemplo, a Fundação Memorial das Vítimas do Comunismo (VOC) confirmou que as populares bonecas Labubu contêm algodão daquela região da China, colhido por meio de trabalho forçado.

O caso do prefeito de Arcadia, na Califórnia, pode parecer pequeno em comparação com a vasta máquina chinesa que desenvolve ferramentas de inteligência artificial ou avança na corrida espacial contra os Estados Unidos. Mas é precisamente nessas operações menores que o regime de Xi Jinping busca ganhar terreno na arena política e ideológica.

Vale a pena relembrar o caso do congressista democrata Eric Swalwell, que, após acusar o então presidente Donald Trump de conspirar com a Rússia para sabotar as eleições presidenciais de 2016, acabou se casando com a espiã chinesa Christine Fang. Entre 2011 e 2015, Fang se infiltrou em vários níveis da política americana, obtendo acesso aos hábitos, preferências, agendas, redes sociais e até mesmo rumores de autoridades governamentais.

Por Oriana Rivas.