O Departamento de Estado dos EUA afirma que a morte do ex-governador Alfredo Díaz “é mais um lembrete da natureza vil e criminosa do regime”.
A morte de Alfredo Díaz, ex-governador da oposição de Nueva Esparta, nas celas de El Helicoide — descrito por diversas organizações como “o maior centro de tortura da América Latina” — provocou indignação dentro e fora da Venezuela. Ele foi detido em novembro de 2024 por ordem do regime e, desde então, só teve permissão para receber uma visita de sua filha.
Para se distanciar das acusações, o Ministério dos Serviços Penitenciários da Venezuela, leal ao regime chavista, afirmou que o ex-vereador e prefeito morreu de ataque cardíaco. No entanto, diversos porta-vozes da oposição sustentam que ele vinha solicitando atendimento médico há meses. Com isso, sobe para 17 o número de presos políticos mortos no país desde 2014, segundo a organização Foro Penal, enquanto, até 25 de novembro, estimava-se que 884 permaneciam atrás das grades.


Em meio à tensa situação do regime de Nicolás Maduro — devido à operação militar no Caribe conduzida pelo governo dos EUA sob a presidência de Donald Trump — a morte de mais um preso político apenas complica ainda mais sua já precária posição. Além das declarações de organizações locais, partidos políticos e figuras como María Corina Machado, o que mais repercute é a mensagem emitida pelo Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA. “A morte do preso político venezuelano Alfredo Díaz, detido arbitrariamente no centro de tortura El Helicoide, do regime de Maduro, é mais um lembrete da natureza vil e criminosa do regime”, escreveu a agência, vinculada ao Departamento de Estado.
The death of Venezuelan political prisoner Alfredo Díaz, who was arbitrarily detained in the Maduro's torture center of El Helicoide, is yet another reminder of the vile nature of the criminal Maduro regime.
— Bureau of Western Hemisphere Affairs (@WHAAsstSecty) December 7, 2025
María Corina: “Esta não pode ser uma morte comum”
A mensagem dos Estados Unidos baseia-se no extenso monitoramento realizado pelo governo republicano dos crimes contra a humanidade cometidos pelo regime chavista contra a população, cuja elite política está envolvida em uma vasta rede de narcotráfico. O presidente Donald Trump demonstrou estar ciente desses crimes e da influência da ditadura, liderada por Nicolás Maduro, em outros países socialistas da região.
Portanto, a morte do ex-governador Alfredo Díaz não passou despercebida, sobretudo por María Corina Machado e Edmundo González Urrutia. Em uma declaração conjunta, afirmaram que “não pode ser tratada como uma morte comum”. Acrescentaram que se tratava de “um crime pelo qual o regime é responsável” e que “o sistema de segurança e prisional tem sido usado para perseguir, punir e destruir aqueles que pensam diferente”.
Centenas de presos políticos permanecem sob custódia do regime chavista, sem o devido processo legal e sujeitos a julgamentos arbitrários, segundo grupos independentes. Relatos de sobreviventes, agora exilados, vieram à tona, revelando as atrocidades que sofreram nas mãos dos agentes da ditadura em suas celas. Alfredo Díaz foi detido arbitrariamente em 24 de novembro de 2024 e mantido em cativeiro por quatro dias. Como afirma Gonzalo Himiob, diretor do Foro Penal, “esta é uma ‘morte potencialmente ilegal'”, de acordo com o Protocolo de Minnesota, e “deve ser investigada de forma objetiva e imparcial”.