Mijail Bonito, advogado cubano-chileno, afirma em entrevista ao PanAm Post que, sem “patrocinadores” como a Venezuela e o México, o colapso do regime cubano é inevitável, já que ele se sustenta apenas com “fumaça” e ajuda humanitária limitada.

O regime cubano pode estar à beira de um colapso histórico: negociações estão em andamento com o governo dos EUA sob a presidência de Donald Trump, o regime de Castro resiste a deixar o poder e a crise se agrava em meio a apagões, escassez de combustível e falta de alimentos após 67 anos de uma brutal ditadura comunista.

O regime de Castro  confirmou uma reunião com uma delegação de Washington em Havana, embora nenhum detalhe das discussões tenha sido divulgado. Alejandro Castro Espín, filho de Raúl Castro, e Raúl Guillermo Rodríguez Castro, apelidado de “El Cangrejo” (O Caranguejo), teriam participado das negociações. O motivo é claro: apenas os membros da família Castro têm poder de decisão. O atual ditador, Miguel Díaz-Canel, não passa de um “fantoche”, afirma Mijail Bonito, advogado cubano-chileno, em entrevista à PanAm Post. Bonito também destaca que o castrismo sempre esteve à beira do colapso “porque foi sustentado por terceiros”. Da dependência da extinta União Soviética para manter sua economia à tona, aos carregamentos de petróleo gratuitos fornecidos pelo chavismo da Venezuela, o castrismo “sempre conseguiu subsidiar sua incompetência econômica”.

As circunstâncias mudaram. Desde a captura de Nicolás Maduro, o ex-ditador venezuelano e cúmplice do regime de Castro, em 3 de janeiro, a liderança da ditadura cubana tem sofrido crescente pressão dos Estados Unidos, aproximando-a cada vez mais de um colapso iminente. O presidente republicano deixou claro que seria uma honra para ele “assumir o controle de Cuba”.

Washington encurralou o regime de diversas maneiras. Com a prisão de Maduro, o castrismo perdeu seu principal aliado, seu principal fornecedor de combustível. Além disso, o governo Trump impediu que outros países, como o México sob o governo de Claudia Sheinbaum, atuassem como um apoio financeiro vital. A sucessora de Andrés Manuel López Obrador está se limitando a enviar “ajuda humanitária” devido ao alerta da Casa Branca sobre tarifas para países que fornecem petróleo à ilha. Então, como a liderança de Havana se sustenta? Através de um sistema totalitário, estruturalmente projetado para evitar a produção, que mal sobrevive com promessas vazias e uma precária economia paralela, explica o entrevistado.

Haverá uma mudança de poder em Cuba?

“O colapso está mais próximo? Sim. Basicamente porque hoje Cuba não tem patronos. Não há ninguém capaz de romper com o desastre econômico que é o próprio castrismo. É um sistema concebido para não produzir, de modo que as pessoas sejam pobres e mais dependentes do Estado”, explica Mijail Bonito.

Em relação à presença da família Castro na mesa de negociações, Bonito enfatiza que “o castrismo nada mais é do que os Castros. O resto são empregados”, incluindo o atual ditador, Miguel Díaz-Canel, nesse grupo de pessoas “descartáveis”.

Mijail Bonito acredita que haverá uma mudança de poder em Cuba em curto prazo, dada “a estrutura com que o atual governo dos EUA opera, sob Trump e a administração do Secretário de Estado Marco Rubio (…) Eles não são pessoas que costumam blefar. Acredito que, quando se envolvem em uma questão, é porque estão determinados a alcançar um resultado”, conclui.

Por Oriana Rivas.