O especialista em risco político e geopolítico Jorge Enrique Gómez Pardo explica, em entrevista ao PanAm Post, por que Abelardo de la Espriella não é de extrema direita, enquanto Iván Cepeda é de extrema esquerda e representa um perigo para a democracia.
Chegou o momento decisivo. Neste domingo, 21 de junho, a Colômbia elegerá seu próximo presidente em um segundo turno entre Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda. Duas opções radicalmente diferentes que a imprensa internacional apresentou erroneamente como uma dicotomia. O primeiro é rotulado de “extrema-direita” e o segundo simplesmente apresentado como “esquerdista” ou “progressista”, sem rótulos extremistas. Mas a realidade é outra. Tampouco se trata de uma disputa entre dois extremos. Apenas um dos candidatos representa um perigo para a democracia. E não é precisamente aquele que estão tentando retratar como tal.
“Abelardo de la Espriella está inteiramente dentro da estrutura da democracia liberal. Não há nada que ele proponha que vá contra os princípios do Estado de Direito ou da democracia”, afirma Jorge Enrique Gómez Pardo, analista político colombiano e especialista em risco político e geopolítico da empresa CCPMC, em entrevista ao PanAm Post. Em contrapartida, ele explica por que Iván Cepeda é de fato de extrema esquerda. “Não se trata apenas de sua trajetória, que demonstra claramente sua origem comunista, nem se trata simplesmente de ter apoiado Chávez quando este já havia destruído a democracia liberal e abraçado o socialismo na Venezuela, mas também da Assembleia Constituinte. Eles se retiraram da Assembleia por razões eleitorais, mas ele nunca rejeitou seu conteúdo.”
Nesse sentido, ele refuta o mito da esquerda de que Abelardo de la Espriella quer “eliminar” e “limitar” direitos. “Essa é uma das coisas que eles sempre dizem, que ele (De la Espriella) vai limitar direitos, que vai eliminar direitos, mas ninguém diz quais direitos ele vai limitar ou quais vai eliminar. Por outro lado, Iván Cepeda, com sua assembleia constituinte, quer tirar dos colombianos o direito de serem livres e iguais perante a lei e, em particular, o direito à igualdade e ao fato de que seu voto tenha o mesmo peso que o de todos os outros. Porque com essa assembleia constituinte, inspirada pelo fascismo e por Maduro, os votos não têm mais o mesmo valor; em vez disso, certos setores são escolhidos cujos votos valem mais do que os de todos os outros, e eles retiram esses direitos, que são absolutamente essenciais em um Estado democrático regido pelo Estado de Direito.”
Campanha de sucesso de Abelardo de la Espriella
Jorge Enrique Gómez Pardo destaca o sucesso da campanha de Abelardo de la Espriella, que tem todos os elementos para impulsioná-lo à presidência. “Desde o ano passado, ele vem dizendo ao povo, ao setor de centro-direita, tudo o que eles sentiam e pensavam”, enfatiza. Além disso, acredita que, quando a candidatura de Paloma Valencia surgiu, De la Espriella já havia conquistado pelo menos 20% dos votos da ala mais conservadora e anti-Petro. “Ele conseguiu alcançar a base popular com seu carisma e acessibilidade, e conseguiu minar o apoio da esquerda na costa caribenha. Isso é algo que ninguém havia previsto, e é por isso que ele venceu o primeiro turno”, explica.
Por essa razão, o especialista acredita que o litoral caribenho e Bogotá serão regiões-chave para a vitória de Abelardo de la Espriella na presidência. No entanto, ele conclui a entrevista com um alerta para este domingo, dia em que a Colômbia elege seu próximo presidente: “Não podemos nos acomodar… se perdermos, podemos perder a democracia, porque as pessoas vão pensar que, se não conseguimos vencer com essa fórmula, que como equipe parece uma combinação perfeita, devido à união de tantos perfis, então será muito difícil recuperar o poder, a liberdade e a democracia.”
