John Ratcliffe levou a Havana uma mensagem clara: o governo Trump estaria disposto a negociar com o regime comunista, mas somente se houver mudanças.
A visita de John Ratcliffe, diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), está causando alvoroço em Cuba. O funcionário do governo Trump chegou à ilha liderando uma delegação para se encontrar com o Ministro do Interior, Lázaro Álvarez Casas, e com Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro, segundo uma reportagem da Associated Press. Esta é a primeira visita de um funcionário americano nesse cargo desde que Fidel Castro chegou ao poder em 1959.
Ratcliffe transmitiu uma mensagem clara: o governo Trump estaria disposto a negociar com o regime comunista, mas apenas se este fizesse mudanças, segundo um funcionário da agência citado pela Bloomberg. Enquanto isso, a ditadura de Castro, por meio de seu site oficial Cubadebate, divulgou um comunicado afirmando que o encontro ocorreu “em um contexto caracterizado pela complexidade das relações bilaterais, a fim de contribuir para o diálogo político entre as duas nações, como parte dos esforços para lidar com a situação atual”.
A repercussão gerada por esta visita não é infundada. Estão sendo traçados paralelos entre a presença do diretor da CIA em Cuba e o que aconteceu na Venezuela em janeiro deste ano. O motivo é que, antes da captura do ditador Nicolás Maduro, operações de reconhecimento e vigilância militar dos EUA foram realizadas. Após ser transferido para Nova York, Ratcliffe desembarcou em Caracas para se encontrar com Delcy Rodríguez, a presidente interina. As semelhanças residem não apenas na presença do diretor da CIA na ilha, mas também no fato de que, desde 4 de fevereiro, a Marinha e a Força Aérea dos EUA “realizaram pelo menos 25 voos desse tipo usando aeronaves tripuladas e drones, a maioria deles perto de Havana e Santiago de Cuba”, segundo a plataforma de rastreamento por satélite FlightRadar24.


Castrismo menciona “intercâmbios contínuos”
Sabe-se que o governo dos EUA está oferecendo ao regime US$ 100 milhões em ajuda para a população em meio à profunda crise que assola a nação caribenha. Mas o ditador Miguel Díaz-Canel continua acusando os Estados Unidos de “estrangular” a ilha e chama o “bloqueio energético” de “genocida”, embora seu ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, tenha revelado há poucas horas que a ditadura está disposta a “ouvir” a oferta de Washington.
A verdade é que as relações entre Cuba e os EUA estão em seu ponto mais crítico. Embora haja discursos públicos e oficiais sobre concessões por parte do regime de Castro, a visita do diretor da CIA a Cuba pode sugerir que novas movimentações estejam sendo feitas nos bastidores. A ditadura, pressionada pela crise, se mostra incapaz de oferecer soluções à população após 67 anos de autoritarismo e corrupção.
Entretanto, o regime cubano está usando este encontro para se eximir da responsabilidade por sua política externa. “As informações fornecidas pelo lado cubano e as trocas de informações mantidas com a delegação dos EUA demonstraram categoricamente que Cuba não constitui uma ameaça à segurança nacional dos EUA, nem há quaisquer razões legítimas para incluí-la na lista de países que supostamente patrocinam o terrorismo”, acrescenta o comunicado.
Os EUA ordenam voos militares para monitorar o regime de Castro
Aviões de vigilância e drones da Marinha e da Força Aérea dos EUA têm sobrevoado Cuba muito perto nas últimas semanas, gerando diferentes hipóteses: estaria se aproximando uma operação militar contra o regime fundado pelos irmãos Castro para forçar sua saída, ou seria uma pressão de Washington para a rendição da ditadura?
O fato de serem voos comerciais pode sugerir que o governo Trump “parece interessado em intimidar autoridades do governo cubano”, disseram analistas ao The New York Times. Além disso, um oficial militar americano acrescentou que eles foram planejados “para dar aos líderes políticos e militares uma visão mais ampla de Cuba em um momento crítico”.
Portanto, as opiniões se dividem entre aqueles que acreditam ser uma demonstração de força ou uma operação de coleta de informações. Mas o que é certo é que o regime de Castro parece estar entre a cruz e a espada.
Por Oriana Rivas.