Há um mês, o presidente dos EUA insinuou a executivos do setor petrolífero que “grandes mudanças” estavam por vir na Venezuela, embora não tenha fornecido detalhes específicos sobre os ataques em Caracas. Apesar da reação positiva do mercado à queda de Maduro, as empresas ainda veem muita incerteza e estão atentas ao longo histórico de expropriações do regime chavista.

Nova York, 6 de janeiro (EFE) – O presidente dos EUA, Donald Trump, enviou uma mensagem vaga a um grupo de executivos petrolíferos americanos cerca de um mês antes da operação militar que culminou na captura de Nicolás Maduro, dizendo-lhes simplesmente: “Preparem-se”, informou o The Wall Street Journal (WSJ) nesta terça-feira.

Segundo o jornal financeiro, Trump insinuou que “grandes mudanças” estavam a caminho da Venezuela, embora não tenha fornecido detalhes específicos sobre os ataques em Caracas nem tenha buscado aconselhamento sobre seu plano para que as empresas de energia revitalizem os campos de petróleo do país sul-americano com investimentos bilionários.

Essa pista, revelada por “pessoas familiarizadas com o assunto” citadas pelo WSJ, indica a importância do petróleo na decisão do presidente dos EUA de intervir na Venezuela.

Qual é o plano da Casa Branca?

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou na segunda-feira que Trump está ansioso para trabalhar com essas empresas petrolíferas em novas oportunidades. “Vamos extrair uma enorme quantidade de riqueza do subsolo”, declarou Trump no fim de semana. “Vamos fazer com que nossas grandes empresas petrolíferas americanas — as maiores do mundo — invistam bilhões de dólares, reparem a infraestrutura petrolífera gravemente degradada e comecem a gerar lucros para o país.”

O plano de Donald Trump depende em grande parte da disposição das principais companhias petrolíferas, especialmente a Chevron – a única grande empresa americana que ainda opera no país – em injetar capital.

A Venezuela possui reservas estimadas em aproximadamente 300 bilhões de barris, o que a tornaria o país com as maiores reservas de petróleo do planeta. No entanto, sua produção atual gira em torno de 900 mil barris por dia, menos de 1% do consumo global, segundo o WSJ.

As ações da Chevron subiram cerca de 5% na segunda-feira, enquanto as da Exxon Mobil avançaram quase 2% e as da ConocoPhillips quase 3%, com o mercado reagindo positivamente à queda de Nicolás Maduro.

As empresas petrolíferas encaram com cautela os apelos de Trump para investir na Venezuela

No entanto, o jornal observa que fontes familiarizadas com a posição da Chevron indicaram que, por enquanto, a gigante “não tem planos de aumentar os gastos ou aumentar significativamente a produção”.

A posição das outras companhias petrolíferas é ainda mais cautelosa. Fontes do setor disseram à CNN que é “improvável que executivos petrolíferos americanos se precipitem na Venezuela” por vários motivos: a situação no terreno permanece altamente incerta, a indústria petrolífera venezuelana está em ruínas e Caracas tem um histórico de confisco de ativos petrolíferos americanos desde a ascensão do chavismo ao poder, situação que ainda não mudou, visto que Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo de presidente interina da Venezuela, foi anteriormente vice-presidente e braço direito de Maduro.

A ExxonMobil e a ConocoPhillips são apenas algumas das grandes empresas petrolíferas afetadas pela expropriação dos projetos que possuíam na Faixa Petrolífera do Orinoco, tendo que recorrer a arbitragens internacionais para obter quantias que rondam os 985 milhões de dólares no caso da primeira e os 8,7 bilhões no caso da segunda, ambas as apreensões ocorridas em 2007.

om informações da EFE e da CNN