A mensagem de Donald Trump veio depois que Ali Khamenei responsabilizou os Estados Unidos pelas vítimas e pelos danos sofridos nos protestos das últimas semanas que, segundo ele, foram uma “conspiração” de Washington para “devorar o Irã”.
Nova York, 17 de janeiro (EFE) – O presidente dos EUA, Donald Trump, disse neste sábado, em entrevista ao Politico, que “é hora de buscar uma nova liderança no Irã”, para pôr fim aos quase 37 anos de governo do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
“É hora de buscar uma nova liderança no Irã”, disse Trump ao Politico, aludindo aos protestos em todo o país que pedem o fim do regime.
A mensagem de Trump surgiu depois de Khamenei ter culpado os americanos pelas vítimas e pelos danos sofridos nos protestos das últimas semanas, que ele classificou como uma “trama” de Washington para “devorar o Irã”.
Após tomar conhecimento dessas informações, o líder americano acusou os governantes de Teerã de recorrerem à repressão e à violência para governar, como de fato tem sido o caso ao longo de todos esses anos.


“O que ele fez de errado, como líder de um país, foi destruir completamente o país e usar a violência em níveis nunca vistos antes”, destacou ele na entrevista.
“Para manter o país funcionando, mesmo que em um nível muito baixo, os líderes devem se concentrar em governar seu país adequadamente, como eu faço com os Estados Unidos, e não em matar milhares de pessoas para manter o controle”, acrescentou o republicano, que enfatizou que a liderança “se baseia no respeito, não no medo e na morte”.
As mobilizações começaram em 28 de dezembro, quando os comerciantes de Teerã fecharam seus negócios devido à queda do rial, mas logo se espalharam por todo o país com gritos de “Morte à República Islâmica” e “Morte a Khamenei”.
Os protestos se espalharam até quinta-feira, 8 de janeiro, e sexta-feira, 9 de janeiro, quando atingiram seu ápice com uma explosão de manifestações em praticamente todo o Irã, resultando em atos de vandalismo contra instituições públicas, bancos saqueados e a queima de 53 mesquitas em todo o país, segundo dados do regime iraniano.
Teerã afirma que os protestos se tornaram violentos devido à infiltração de agentes externos apoiados por Israel e pelos Estados Unidos, para justificar uma intervenção militar por parte de Washington, que ainda não ocorreu.
Trump ameaçou atacar o país persa se mais pessoas morressem, quando o número de mortos era de sete, e mais tarde afirmou que “a ajuda estava a caminho”, o que muitos interpretaram como um aviso de intervenção.
Ali Khamenei afirmou no sábado que “vários milhares” de pessoas morreram nos protestos. ONGs exiladas elevam o número de mortos em 3.428 e o de detidos em 19.000.