Os motoristas das picapes de propriedade da gangue Tren de Aragua dirigiram durante cinco dias até chegarem a Caracas, o destino final autorizado pela “Yefri”, que fica a mais de 8.000 quilômetros do Chile. A operação concretizou as três remessas que começaram em setembro de 2024 com a saída de um Toyota, modelo 4Runner do ano de 2020, matriculado com a nomenclatura LWZP-83, de propriedade de Joel Díaz.
Fingindo estar em uma viagem turística de ida e volta pelos Andes, líderes da gangue Tren de Aragua deixaram o Chile a bordo de três SUVs de luxo adquiridas pela liderança da organização no país para vender na Venezuela.
Uma ação judicial movida nas últimas horas pelo Serviço Nacional de Alfândega do Chile alega que a extração irregular ocorreu pelo Passo Los Libertadores, uma passagem de fronteira na Região de Valparaíso que registra, em média, a movimentação de 1.500 veículos por dia.
Segundo o documento vazado pelo ExAnte, o líder da quadrilha venezuelana, Jefrey Jesús Miranda Pinto, vulgo ‘Yefri’, que está foragido, ordenou que três dos acusados de lavagem de 75 milhões de dólares em Santiago se envolvessem no contrabando de veículos Toyota 4Runner: Joel Díaz, sua parceira, Rossana Blanco, e seu aliado Dubraska Pitters Maestre.
Caracas como destino final
Os tripulantes dos caminhões da Tren de Aragua dirigiram por cinco dias até chegarem a Caracas, o destino final autorizado por “Yefri”, localizado a mais de 8.000 quilômetros do Chile. A operação completou as três remoções iniciadas em setembro de 2024 com a partida de um Toyota 4Runner 2020, placa LWZP-83, de propriedade de Joel Díaz.
Com autorização prévia do líder da facção conhecida como ‘Los Shelbys’, a organização processou um Título de Saída Temporário de Veículo —TSTV N°H12023372— e obteve uma permissão de 180 dias que autorizou sua viagem. Eles não levantaram suspeitas.
De fato, após reentrar no Chile por via aérea pelo Aeroporto Arturo Merino Benítez, ele obteve o Documento Único de Saída, um formulário oficial que autoriza a exportação legal de mercadorias do Chile e permite inclusive a recuperação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA). Seu pedido, identificado como nº 13125400, foi deferido pela Resolução nº 3693/25.11.25 da Alfândega dos Andes.
A rapidez dos procedimentos levou a três tentativas: a segunda apenas um mês após a primeira, e a terceira em março de 2025. Em todas as três, obtiveram autorizações temporárias de exportação. No entanto, as duas últimas ainda não retornaram dentro do prazo estipulado e não solicitaram a formalização da exportação.
caminhonetes de alta lucratividade
O transporte de SUVs de luxo para a Venezuela é um negócio lucrativo para a quadrilha Tren de Aragua. Enquanto no Chile o custo gira em torno de US$ 20.000, na Venezuela o preço varia de US$ 60.000 a US$ 80.000.
Os fatos apresentados ao serviço aduaneiro estão em total conformidade com a legislação aduaneira, que estabelece que “qualquer pessoa que introduza no território nacional ou retire dele mercadorias cuja importação ou exportação sejam proibidas, incorrerá no crime de contrabando”.
Neste ponto, destaca-se que “mercadorias de origem ilícita serão sempre proibidas de importação ou exportação, quer tenham sido obtidas ou geradas através da prática de um crime, quer tenham sido utilizadas como instrumento na sua prática”.
Com base na legislação, a entidade solicitou uma pena de prisão de dez anos para os envolvidos, que descreveu como autores da fase consumada do crime de contrabando previsto no artigo 15, n.º 1, do Código Penal.
