PHVOX – Análises geopolíticas e Formação
Daniel Ferraz

Sobre a sinceridade e o sacrifício: breve reflexão sobre o Evangelho de São João 4,23

“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem”

Podemos abstrair três aspectos das palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo: adoração, espírito e verdade.

Da adoração se requer uma especulação mais profunda. Quando o Logos Encarnado fala em adoração trata-se de sã obediência. Em praticar a humildade de submeter-se e servir – seja na dor, na tristeza, no desespero e nas angústias desta vida.

Do espírito, trata-se de nossa estrutura ontológica. Daquilo que somos feitos à imagem e tornando-nos semelhantes de Deus pela substancialidade da alma mediante a Graça santificante pelos Sacramentos.

E da verdade (ou do transcendental verdadeiro), deixando bem evidente, trata-se do Primeiro Mandamento: amar a Deus sobre todas as coisas.

Desses três aspectos abstraímos uma questão de existencialismo e busca pelo Reino de Deus.

A verdadeira confissão do ser humano sincero inicia-se pelo exame de consciência. Tomamos nossos atos como nossos, sem nenhuma afetação e terceirização das nossas atitudes perante nós mesmos, o próximo e toda a realidade que nos abarca. Aquele que mente sucessivamente para si, mesmo nas trivialidades rotineiras, cria tendências maiores à subversão de um dos inimigos do homem: o diabo. Virando as costas às potências mais elevadas da alma, é engolido pelo outro inimigo: o mundo. E vivendo apenas das paixões inferiores revolta-se incessantemente contra a verdade, vivendo apenas da carne.

Em minha infinita presunção creio que Deus não quer de nós poses e afetações fingidas. Não quer que nos escondemos em falsa polidez e trejeitos moralistas enquanto utilizamos da Graça da confissão, da penitência e de Seu perdão como meras regras de etiqueta. Contudo, para viver uma vida sincera na verdade é essencial que tenhamos docilidade à boa ascese espiritual.

Dentre todos os elementos que somos sujeitos no âmbito não somente da cultura mas das influências que se infiltram na formação da nossa personalidade, o exame de consciência extrai do fundo de cada poço humano aquilo que cada pessoa é de fato. E extraindo o verdadeiro ser não se é mais aceito o viver nas confusões das aparências.

O verdadeiro cristão, portanto, não deve se preocupar em ser aparente, em exteriorizar bonitezas públicas com palavras rebuscadas. Deve, na medida de seus esforços mais sinceros e dos sacrifícios realizados, cumprir com os desígnios de Deus confiando de que a causa final de todas as coisas é a felicidade eterna.

O caminho das pedras, a porta estreita de que devemos passar, em meios às quedas e pecados, não deverá servir como motor para a revolta contra o Ser, mas a aceitação cada vez maior d’Ele pela participação.

Em exemplo dos Apóstolos, Santos e grandes Mártires da história do Corpus Mysticum, o objetivo da vida pelo Amor é pelo que vamos morrer.

Nas palavras de Santo Agostinho, o tempo é uma imagem móvel da eternidade. Mesmo diante dos piores sofrimentos, tomar a eternidade como norte das nossas ações, tendo completa ciência de que já vivemos nela e não poderia jamais ser o contrário, destinamos todos os aspectos e aparências numa forma inteligível de nosso ser para apresentarmo-nos para Deus como nós mesmos e nunca como os outros querem que sejamos.

A escolha pela adoração, pelo espírito e pela verdade, com efeito, é deixar com que Cristo atualize-nos a cada momento desta vida para que gozemos de Sua Essência para todo sempre.

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