O diplomata responsabilizou os militares venezuelanos por não terem “treinamento suficiente” para operar os sistemas de defesa antiaérea russos Iglá, que, segundo ele, falharam durante a operação militar americana do último dia 3 de janeiro.

Moscou, 26 de janeiro (EFE) – O embaixador russo na Venezuela, Sergey Melik-Bagdasarov, afirmou nesta segunda-feira que Caracas disparou dois tiros com baterias antiaéreas russas contra tropas americanas durante a operação para capturar Nicolás Maduro, mas que as operações falharam devido à falta de treinamento dos militares venezuelanos.

“Além de ter uma metralhadora nas mãos, você precisa saber como atirar com ela”, disse ele em entrevista ao canal Rossia 24.

O diplomata culpou os militares venezuelanos por não terem “treinamento suficiente” para operar os sistemas russos de defesa aérea Igla, que, segundo ele, falharam durante a operação militar dos EUA em 3 de janeiro.

Ele explicou que lhe disseram que “foram disparados pelo menos dois tiros (pelos sistemas de defesa russos) e ambos erraram o alvo”.

No entanto, Melik-Bagdasarov afirmou que a cooperação militar continua, que “não foi cancelada”, que a Rússia continua a cumprir seus compromissos e que a manutenção dos sistemas de armas russos no país latino-americano continuará por décadas.

Após a captura de Maduro, a mídia internacional questionou a operacionalidade e a eficácia dos sistemas de defesa antiaérea que a Rússia havia fornecido anteriormente à Venezuela.

Na época, o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, sugeriu que as defesas aéreas russas se mostraram insuficientes, já que as baterias S-300 e os sistemas Buk foram inutilizados pelos sistemas de guerra eletrônica.

Dessa forma, o Kremlin foi exposto como exportador de segurança ao não garantir a defesa dos regimes autoritários que considera seus aliados.

Hoje, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, defendeu o interesse da Rússia em continuar investindo na Venezuela.

“Temos vários projetos que nos interessam dar continuidade”, disse ele, argumentando que a Rússia “mantém contato constante com os líderes venezuelanos diariamente desde o início” e que “conhece bem a presidente interina, Delcy Rodríguez”.

No ano passado, a Rússia anunciou a construção de uma fábrica de munição para fuzis Kalashnikov e que estava em processo de construção de outra fábrica para fuzis de assalto no país latino-americano, onde já possuía outras unidades da indústria militar.