PHVOX – Análises geopolíticas e Formação
Artigos

Resultado final: nem a recontagem nem os recursos alteram a vitória de Abelardo de la Espriella

Por José Gregorio Martínez

“O que deve ocorrer agora é a entrega das credenciais e definir como será feita a transição para que, a partir do próximo dia 7 de agosto, tenha início seu mandato de quatro anos”, afirma o advogado Bernardo Henao em entrevista ao PanAm Post.

O sistema eleitoral colombiano demonstrou mais uma vez sua rapidez, precisão e eficiência. Apenas uma hora após o fechamento das urnas, os resultados já eram conhecidos e, embora apertados, indicavam a vitória de Abelardo de la Espriella. No entanto, a esquerda, atualmente no poder, mas em vias de deixar o cargo, decidiu romper com a tradição democrática de o lado perdedor reconhecer a derrota, prática que historicamente evitou horas desnecessárias de tensão e incerteza no país. Tanto o presidente cessante Gustavo Petro quanto seu candidato, Iván Cepeda, insistiram na necessidade de aguardar a apuração final e contestar os resultados nas seções eleitorais, dada a derrota eleitoral que os pegou de surpresa no primeiro turno. A verdade é que as possibilidades legais e matemáticas de reverter essa tendência são mínimas, senão praticamente inexistentes.

“O que eles querem fazer, e o que o presidente tentou questionar, está errado. Disseram que, se a contagem final dos votos fosse divulgada, reconheceriam os resultados, então esperemos que isso aconteça. Mas a verdade é que Abelardo (de la Espriella) venceu, José Manuel (Restrepo) também foi eleito vice-presidente, e eles são os escolhidos pela maioria do povo colombiano. Agora, o que precisa acontecer é a apresentação das credenciais e definir como será feita a transição para que o mandato de quatro anos deles possa começar em 7 de agosto”, disse o advogado e colunista Bernardo Henao em entrevista ao PanAm Post.

O especialista destaca que a diferença de votos que dá a vitória a Abelardo de la Espriella, próxima de 250.000, é suficientemente sólida para sugerir que as pequenas inconsistências geralmente detectadas entre a contagem preliminar e a oficial podem alterar o resultado. Isso é especialmente relevante considerando que no primeiro turno houve 99,94% de concordância e a diferença foi de apenas cerca de 14.000 votos.

E, entrando nos aspectos legais, ele explica que, como a contagem de votos já terminou, não há como contestar os resultados, pois isso deve ser feito na própria seção eleitoral. “Seus advogados e as pessoas que os credenciaram tiveram que estar presentes em todos os cartórios eleitorais do país, entrar e apresentar as contestações. Muitas dúvidas podem surgir, e eles podem fazer toda a análise, mas a realidade é que a contagem de votos estava acontecendo naquele momento, e se esse momento já passou, então não há mais nada a fazer”, enfatiza.

A esquerda em oposição

Quais são as opções da esquerda se ela pretende continuar contestando o resultado? O advogado Bernardo Henao explica que a única opção restante é entrar com uma ação judicial no tribunal eleitoral, e esse processo pode ser demorado. Ele cita como exemplo o processo contra a campanha de Gustavo Petro em 2022 por violação dos limites de gastos. “Já se passaram três anos e meio, quase quatro, e a questão ainda não foi resolvida. É complicado. É assim que as coisas estão. Abelardo de la Espriella venceu de forma justa e legítima.”

Para Henao, o debate agora deve girar em torno do futuro da Colômbia nos próximos quatro anos, com Abelardo de la Espriella na Casa de Nariño (Palácio Presidencial) após sua vitória no segundo turno das eleições de domingo. Primeiro, ele considera essencial iniciar a transição de poder. Segundo, prevê que o novo presidente optará por um gabinete com figuras de perfil mais técnico do que político, incluindo a possível inclusão de um alto funcionário de esquerda para demonstrar abertura a diversas perspectivas políticas e unidade nacional. E, em terceiro lugar, prevê divisões na oposição, com o ex-presidente Gustavo Petro buscando assumir a liderança em detrimento do líder natural, que deveria ser Iván Cepeda, a partir da cadeira no Senado que lhe cabe pelo Estatuto da Oposição.

Pode lhe interessar

Cultura psicanalítica

Fábio Blanco
4 de dezembro de 2023

Petro sai em defesa do Cartel dos Sóis e do Trem de Aragua

PanAm Post
17 de setembro de 2025

“Petro usa o referendo para manter as bases vivas”, mas falhou

PanAm Post
29 de maio de 2025
Sair da versão mobile